"Este Espaço pode ser seu"

"Este Espaço pode ser seu"

Constantinos - Oficina de Artesanato

cpbombarral@gmail.com

 
 

Esta é uma crónica que pretende ter alguns traços de humor. Os artigos e ou opiniões, não expressam e ou vinculam a Secção de Xadrez da Casa do Povo do Bombarral, nem qualquer um dos seus jogadores ( Sai ás 4ªs Feiras)

 

Zé Bomba – Episódio 26

A Arte e a Revolução Artística

 

Hoje não me apetece “humorar”, a porcaria das pastilhas da Azia não surtiram efeito nenhum … fugiram! Por isso hoje vou deixar a rubrica a cargo do grande humorista Robert Benchley.

   

A Arte e a Revolução Artística

Segundo opiniosas informações provenientes de Paris (se é que aceitamos as opiniões oriundas de uma cidade tão mal afamada), surgiu nos ateliês de Montparnasse um novel pintor que promete vir a revolucionar a arte. A arte foi revolucionada tantas vezes nos anos transatos, que nada, excepto a completa aniquilação, pode ser considerado luta a murro, quanto mais uma revolução. Parece, todavia, que agora esse hábito foi por fim ultrapassado. Conseguiu-o um rapaz francês de quarenta e cinco anos.

O artista em questão chama-se Jean-Baptiste Morceau Lavalle Raoul Depluy Rourke. É um homem baixo, com dificuldades respiratórias (não bastantes, todavia), e não corresponde nada ao género que imaginaríamos ser o de um grande pintor – na realidade, ele não o é. Porém, profundamente oculta nos recessos daquela cabecinha, há uma ideia que um dia destes está destinada a ridicularizar a Arte. É esta a ideia: Toda a Arte é Relativa, embora nem todos os relativos sejam Arte. (A piada não é minha, limito-me a transmiti-la). Se olharmos para uma cadeira, uma mesa ou uma velha caixa de sapatos destinada a um piquenique, o que vemos não é realmente uma cadeira, uma mesa ou uma caixa de sapatos cheia com o piquenique, mas sim uma luva, uma esponja e um jogo infantil para brincar na areia. Tudo isto é evidente!

Vejamos, pois: se a Arte deve absolutamente ser qualquer coisa na expressão das imagens visuais, se, como alguém disse, ela deve pôr a natureza ao espelho, nós temos portanto (continuo a citar Rourke, embora pense deixar de o fazer em breve) de pôr na tela não as coisas que vemos, mas sim as coisas que nos vêem a nós. Estou a ser claro?

Talvez a melhor forma de estudarmos esta nova teoria da pintura seja concentrarmos as nossas ideias e virarmos os nossos cansados olhinhos para a reprodução que se encontra neste pagina, na qual Peter Arno captou alguma coisa do espírito da famosa pintura de Rourke intitulada Neblina no Paul.

 

 

A comissão da Academia Francesa recusou expor este quadro, segundo declarou, porque ele não ia acompanhado de um sobrescrito selado com o endereço do remetente já escrito, além de não conter pintura suficiente. Mas isso foi um evidente subterfúgio da dita comissão. A questão prende-se com o facto de os seus membros não terem compreendido a obra, e neste mundo não acreditamos naquilo que não compreendemos. Esta é também uma boa regra.

Se examinarmos atentamente esta pintura, veremos que na verdade a constituem três partes: Maine, New Hampshire e Vermont. A perna, que não parece pertencer a ninguém, é minha – quero aliás que me seja devolvida, quando o leitor tiver acabado de ver a pintura. No retrato, o sujeito de ar melancólico que parece estar agarrado á cornija de um edifício, edifício esse que não aparece no desenho, é um auto-retrato do artista. Pintou-o pegando num espelho com uma mão, numa harmónica com a outra e olhando depois para o outro lado. Captou assim a sensação, de preferência aos pormenores físicos da sua pessoa.

Por conseguinte, como veremos, o que aqui temos é mais uma sensação de beleza do que uma pintura. Embora o artista continue em busca dessa sensação, é perfeitamente possível que ela não esteja tão longe da sua capacidade de compreensão como parece. Não podemos andar por aí á toa em busca da sensação sem esbarrar em qualquer coisa, porventura em óleo.

    

Por exemplo, muitíssima gente leva a mal o ovo frito que se vê do lado esquerdo, ao alto, reclamando que ele é demasiado parecido com o sol. Por outro lado, os adoradores do Sol dizem que ele se parece excessivamente com um ovo frito.
Na realidade, alguns amigos do artista que o apanharam com disposição comunicativa numa noite em que ele se encontrava bêbedo concluíram que se trata, de facto, do distintivo de um marechal em revista ás tropas, simbolizando a firme marcha da Arte rumo ao terreno do piquenique. Seja porém o que for, não poderemos negar que se encontra no canto superior esquerdo da pintura. E isso é extraordinário.

Na tendência Supra-Realista da pintura (da qual Monsieur Rourke foi membro até ser suspenso por nadar na piscina quando esta estava vazia) há uma tentativa de expor o Espírito como Substancia, e o Espírito e a Substancia como um excelente bolo de absinto.

Assim, a cobra hilariante que vemos no canto inferior esquerdo de Neblina no Paul é uma mera representação do espírito das cobras hilariantes e nada tem a ver com a Realidade. Esta cobra está a rir-se porque ela, em absoluto, não se encontra realmente na pintura. Também agrada a este artista ver que as cobras estão de volta como invenções de delirium tremens, porque houve tempos em que elas eram consideradas formas muito más.

       

Um bom Bêbado imaginativo de há cinco anos atrás, ter-se-ia sentido envergonhado ao ver essas antiquadas aparições de cobras, visto a tendência ser então a de homenzinhos idosos, de barbas compridas, parados ás esquinas e a escarnecer.

O ponto capital do quadro como um todo reside no bombeiro que ocupa a parte central da cena. Aqui, o artista tornou-se quase fotográfico, inclusive na sineta de alarme pendurada ao fundo.

Ao antiquados pintores modernistas, como Matisse ou Picasso, receavam mostrar-se fotográficos, mas os mais novos pensam que isso tem montes de piada. O que aqui vemos não pode possivelmente deixar de ser um bombeiro e uma sineta de alarme, a menos que se trate de um pescador e da sineta de um barco. Seja porém como for, é um homem e é uma sineta, e isso corresponde a um longo caminho que leva á arte fotográfica.
Quanto ao chapéu de seda, á escada, ao ligeiramente desagradável rosto solto e á flecha e ao alvo, estes pertencem a outra pintura, colocada no cimo desta por engano quando a tinta Aida estava húmida. Monsieur Rourke sente-se bastante contrariado a este respeito, mas espera que não reparemos nisso.

 

Este é um ensaio humorístico, copiado (quase que na integra, excepto imagens) do livro Wit – Ensaios Humorísticos de Robert Benchley, edições TINTA-DA-CHINA, o qual aconselhamos vivamente a sua compra.

Conta com prefácio de Ricardo Araújo Pereira …

“ É possível que a melhor apresentação de Robert Benchley seja esta: foi um humorista a quem os mestres chamavam mestre. Não é para todos. “

 

No Próximo episódio, … Zé Bomba com o aproximar das suas férias (que irá desfrutar na zona Oeste do País), começa a preparar a sua aventura! … Sim, porque ir de férias com o Zé, aventura é o termo mais delicado que se pode “arranjar”, até lá!

 



Home page
 | Calendário de Provas | Organismos e Informativos | Associações e Clubes de Xadrez | Galeria de fotografias | Jogadores | Jogar online |
Ver partidas |

www.000webhost.com