"Este Espaço pode ser seu"

"Este Espaço pode ser seu"

Constantinos - Oficina de Artesanato

cpbombarral@gmail.com

 
 

    

“António Mamede Diogo foi quem ajudou a semente do xadrez a crescer dentro de mim”

Hugo Lima Santos – Mestre Nacional

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Décima Segunda, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi ao encontro do mais recente Mestre Nacional que o xadrez Luso gerou.
O “Internacional” Júnior revela que a sua irmã poderá ser uma aposta consistente para a Seleção Nacional se assim o quiser e ambicionar, dá ênfase á falta de divulgação da modalidade e teme pelo futuro dos bons jogadores nacionais, já que nem António Antunes se quis tornar profissional da modalidade. Apesar do momento poder indicar “euforia” não espera muito do xadrez e demonstra até uma certa consternação “…Não tenho grandes aspirações” … furada pela pergunta “Se vai chegar a MI”..., esperamos que gostem!

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1 - Hugo conta-nos como se chega a Mestre Nacional (á parte do talento).

O processo para chegar a MN depende da intensidade com que se vive o xadrez. Acredito que todos os jovens que já se dispuseram a estudar xadrez com profundidade já terão pensado, alguma vez, em tornar-se profissionais deste desporto que despoleta tantas paixões; nesse período em que acreditamos na grandeza do xadrez, estudamos várias horas por dia, lemos imensos livros da área e tentamos aproximar-nos dos melhores jogadores nacionais, que são a nossa referência. Mais tarde, percebemos que crescemos algo desamparados neste pequeno meio, sem apoios e, por vezes, perante atitudes irrefletidas dos nossos ídolos acabamos por cair na dura realidade do xadrez nacional – a esterilidade.

Portanto, neste momento, em que já passei a primeira fase, já não estudo regularmente. Não obstante o referido, mantenho muito presente o meu interesse no xadrez, porque continuo a acompanhar o que se passa entre os melhores do mundo, assim como tenho gosto em jogar este desporto quer seja online, quer seja com os amigos.

 

 

2 - Que importância teve António Mamede Diogo na tua formação enquanto xadrezista, que momento mais te marcou na sua companhia?
Quais os treinadores que já te treinaram e quais as características que mais gostaste em cada um?

O Diogo foi quem ajudou a semente do xadrez a crescer dentro de mim. No entanto, não só me mostrou conhecimentos relacionados com xadrez, como partilhou pedaços da sua vida pessoal.

Como treinadores tive o amigo e “mestre” António Mamede Diogo e o amigo e MI António Fróis.

O Diogo, que foi o meu primeiro treinador, era uma pessoa fantástica que tentava incutir nos seus discípulos um grande desportivismo e um forte sentido ético, acima de qualquer resultado, isto para além da sua enorme apetência para ensinar crianças e jovens. Lembro-me de uma situação em que o Diogo estava a jogar uma partida de xadrez, um final de jogo com vantagem para o “mestre”, que tinha o inconveniente de lhe restar cerca de um minuto no relógio para terminar a partida. Após trinta segundos de enorme adrenalina, em que as peças deslizavam a queimar pelo tabuleiro, o “mestre” ficou em vantagem num final básico de Rei e Torre versus Rei. Nesse momento, o Diogo relaxou e, após umas quatros jogadas, repara atónito que o adversário ainda está tenso, como se o jogo estivesse em aberto – o Diogo, desencantado pela atitude do velho conhecido, detém o relógio e empata o jogo, dando-lhe uma lição de respeito pelo adversário.

O Fróis é dos jogadores com maior experiência a nível nacional e que tem uma galáxia de histórias didáticas que servem para instruir os alunos não só a nível pessoal como a nível técnico. Tem uma excelente intuição para o jogo, porque é um atleta com uma capacidade prática exímia, o que se traduz em conhecimentos profundos de qualquer tipo de posição. Estas características de jogador que definiram a sua vida profissional e a sua aproximação aos melhores jogadores jovens a nível nacional permitem-lhe uma capacidade de comunicação extremamente atrativa.

3 - Descreve-nos um pouco sobre a organização do teu ex clube, e que principais diferenças que notaste entre a AX Lisboa e a AX Leiria?

Como bem refere, é o meu ex-clube, portanto entendo não dever falar com pormenor sobre a sua organização deixando, no entanto, uma apreciação geral: foi excelente!

Lisboa é um distrito maior, o que lhe permite ter mais praticantes da modalidade, maior competitividade e o ocultar das sempre incómodas guerrilhas.

 Hugo Lima Santos

 

4 - Comenta este excerto retirado do blog http://brayxadrez.blogspot.pt/
“…Temos até um projecto de grande mérito, nascido da alma do nosso António Mamede Diogo, em que os beneficiados traíram com a sua ilógica saída do nosso distrito! Considero ter sido uma atitude imbecil. Ainda por mais sendo um contencioso entre o seu projecto e o clube que ele representou mais de vinte anos com dignidade e humildade e perante uma amizade tão sólida, entre ele e o meu querido amigo João Duarte dos Santos. Patetas!...”

As palavras (des)qualificam quem as profere. Sem comentários, obviamente.

5 - Como avalias o trabalho da actual direcção da FPX? Quais seriam as 3 medidas que implementarias com carácter de urgência se fosses presidente?

O trabalho da atual direção da FPX tem alguns bons resultados e outros menos bons. Parece-me que esta direção apostou com sucesso na divulgação do xadrez nas redes sociais, nomeadamente no facebook, e conseguiu concretizar algumas parcerias que conferiram maior profissionalismo em certos eventos, nomeadamente no caso da fase final do campeonato nacional absoluto 2011/2012, que teve bons prémios e instalações hoteleiras adequadas à circunstância. Uma das apostas que, no meu entender, me parece errada foi a criação de uma barreira aos campeões nacionais jovens, o que descredibilizou a prova pela ausência e desinteresse de vários jogadores cujo apuramento já se encontrava garantido ou sabiam que “não servia para nada” ser-se campeão nacional, o que é de lamentar, pois é prova maior do xadrez jovem nacional.

Quanto a medidas, e apesar de não me considerar um perito no assunto, poderiam ser adotadas, por exemplo:

  • 1.ª) Implementação do xadrez nas escolas, afirmando uma postura mais ativa no ensino;
  • 2.ª) Divulgação do xadrez em meios mais credíveis que o facebook, nomeadamente em jornais públicos;
  • 3.ª) Alargamento da rede de patrocinadores.

6 - Rápidas perguntas de resposta sim ou não

Luís Pedro Ferreira será MN dentro de pouco tempo?

Sim

Em Portugal no xadrez existe mais competência do que incompetência?

Sim

Nos próximos 3 anos perspetiva-se algum GM para Portugal?

Sim

Sim ou não ás jornadas concentradas?

Sim

O Hugo vai chegar a Mestre Internacional?

Sim

Existe excesso de estrangeiros no Campeonato Nacional da 1ª Divisão?

Sim

Carlsen Magnus vai ser o próximo campeão do mundo?

Sim

 

7 - Quais foram os três momentos mais altos na tua curta carreira na modalidade?

É muito difícil escolher, porque todos foram importantes…

  • Ser campeão nacional sub-20 (época 2010/2011);
  • Conquistar o quarto lugar no campeonato nacional absoluto (época 2012/2013);
  • Ser vice-campeão nacional da 2.ª divisão pela AX Mamede Diogo (época 2012/2013).

8 - Mostra-nos o teu melhor jogo ou um dos melhores

Tenho vários jogos que foram impressionantes, quer pelo jogo em si, quer pela emotividade com que se disputaram, mas aqui fica um dos melhores:

O jogo começou muito antes da partida se iniciar no tabuleiro, uma vez que o empate me tornava campeão nacional. A noite que antecedeu o jogo foi difícil, porque a emoção de me tornar campeão nacional não saia da minha cabeça.

Relativamente ao jogo, propriamente dito, foi com grande satisfação que encontrei um motivo combinatório ao vigésimo lance, que me permitiu ganhar uma qualidade, aliviando grande parte da pressão que sentia. No lance 36 devolvi a qualidade para conquistar uma posição dominante, ainda que passasse a estar em igualdade pontual. Momentos mais tarde, o Daniel apercebeu-se que ia continuar a defender durante um longo período de tempo para conseguir o empate, por isso, propôs-me empate, que aceitei de imediato, pois, apesar de não aproveitar a vantagem para tentar ganhar o jogo, tornava-me campeão nacional.

  

 

9 - Acabas de “assinar” pelo Clube TAP, foi para ires jogar a 1ª divisão ou por algo mais? Que expectativas tens para a nova época desportiva?

O convite para jogar pelo Clube TAP, que aceitei com todo o gosto, permite-me a oportunidade de jogar na 1.ª divisão; a única expetativa é a maior competitividade.

10 - Aconselha-nos um livro, um filme e um site (sobre xadrez)
Aconselha-nos um livro, um filme e um site (sem ser sobre xadrez)

Sobre xadrez

  • Livro: Os cinco volumes dos grandes predecessores de Gary Kasparov.
  • Filme: «Game over: Kasparov and the machine».
  • Sítio: http://www.ax-mamedediogo.com/.  

Genérico

  • Livro: Conde Monte Cristo;
  • Filme: Hotel Ruanda;
  • Sítio: http://braingames.nationalgeographic.com/
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    Ficámos assim a conhecer um pouco melhor de mais um dos jovens talentos da nossa modalidade, agradecendo desde já a disponibilidade demonstrada, e desejando os maiores sucessos na modalidade e nas novas aventuras que se adivinham pela frente. Obrigado!

     

 

“Quero ser Mestre Fide até Janeiro de 2014”

Luís Neves da Silva – Mestre Nacional

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Décima Primeira entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi ao encontro de um jovem que tem andado em destaque nos últimos tempos, Luís Silva. A época que ainda agora decorre tem trazido feitos incríveis para este jovem sub 18, desde o sucesso competitivo da equipa que representa ao titulo de Mestre Nacional, passando pelo titulo de Campeão Nacional de Semi Rápidas, Campeão Nacional sub 18, até á obtenção de uma norma de Mestre Internacional em Sant Marti com uma impressionante subida de 40 pontos fide! Sonha com a Seleção Nacional, mas não esquece o passado e o presente onde destaca o fenomenal professor Mário Oliveira. Confessa que gostou da entrevista a Margarida Coimbra e que se pudesse entrevistaria Rui Dâmaso…. São algumas das curiosidades contidas na entrevista, esperamos que gostem!

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1- Conta-nos um pouco da tua vida extra xadrez

Recentemente comecei uma nova etapa da minha vida com o ingresso no curso de Medicina da Universidade do Minho. Desde bastante jovem que queria ser médico e com o esforço e dedicação estou no caminho correto. De momento estou a adorar a experiência (apesar de todo o trabalho que implica a vida académica) e sinto-me com uma nova energia! Pronto para cumprir qualquer objetivo ou até mesmo para me superar! Quanto á minha personalidade posso dizer que sou bastante competitivo, focado, metódico e calmo. Adoro ouvir música, principalmente de AC/DC, Led Zeppelin e Gary Moore. Penso que músicas mais energéticas dão-nos aquele “empurrãozinho” para uma melhor performance no dia-a-dia e no trabalho. Não pratico qualquer tipo de modalidade além do xadrez mas gosto de me exercitar no ginásio.

Luís Neves da Silva

 

2- És o líder da classificação do Circuito Nacional de Lentas com três participações em três torneios, gostaríamos de saber se vais fazer o pleno nos torneios, ou seja se vais ao Torneio de São João da Madeira, e se vens ao Bombarral. Quais são os teus objectivos neste circuito?

O torneio de São João da Madeira não irá contar com a minha presença pois estarei a jogar o Europeu de Jovens no escalão sub-18 em Budva, Montenegro. Quanto à minha participação no torneio do Bombarral dependerá se o meu apuramento para a final do circuito não for certo com a pontuação já atingida. Certamente que gostaria de o jogar mas, com o atraso académico que irei ter devido ao Europeu de Jovens e, com tamanha exigência do curso de Medicina, tenho que seleccionar o melhor possível todas as provas em que ingressarei. Neste circuito tenho como objetivo atingir a vitória.

3- Caracteriza cada um destes torneios que já participaste, as suas melhores qualidades, o que menos gostaste e descreve o ambiente vivido em cada um deles.

Começando pelo primeiro torneio do circuito, ou seja, o torneio do Profigaia, tenho a dizer que o sítio de jogo era pouco espaçoso apesar das boas condições de temperatura e atraiu alguns jogadores interessantes. A minha performance nesse torneio deixou muito a desejar mas interpretei como uma situação algo natural pois a minha última partida oficial antes do arranque do torneio tinha sido feita dois meses antes. Quanto ao torneio de Lisboa, gostei do ambiente vivido pois era bastante familiar. No entanto a sala de jogo era péssima. Ouvia-se bastante barulho e a temperatura era enorme. Felizmente fiz uma excelente participação e é um dos torneios que guardo em especial na minha memória devido ao facto de ter vencido com 6,5 em 7 no meio de uma lista bastante competitiva. Falando do torneio da minha terra, foi dos 3 o melhor organizado. As condições do sítio de jogo eram simplesmente excelentes, havia fotógrafos, press-releases constantes.... No fim de tudo fiz uma péssima prestação penso eu devida ao cansaço acumulado em toda a jornada de Verão que fiz. Tenho também a notar que com o prize-money disponível podia ter sido feita outra distribuição dos prémios para atrair jogadores mais fortes.

 

4- Estás de partida para o Campeonato Europeu de Jovens no Montenegro, que objectivos traçaste para a competição, como te preparaste e o que poderia ter sido melhorado na tua preparação para o torneio por parte da FPX?

Comecei a pensar no Europeu no início da minha rodagem de torneios do Verão de 2013. O meu objetivo passava por me aproximar da marca dos 2300 de ELO FIDE para até Janeiro obter esse título. Com o decorrer dos torneios e pelos excelentes resultados que estava a obter defini o Europeu como o último torneio para ser Mestre FIDE. No entanto, com tantas provas nas costas acabei por descambar em Famalicão e no Absoluto e assim sendo, tive que redefinir objetivos e voltar ao objetivo inicial (Mestre FIDE até Janeiro de 2014). Portanto o objetivo neste Europeu será “apenas” de dar o meu melhor e aumentar o meu ELO o mais possível para cumprir o objetivo acima citado. Penso que a pausa pós-Nacional Absoluto que estabeleci onde vi praticamente zero de xadrez me ajudará bastante. Acumulei tantos conhecimentos este Verão que já tinha o meu cérebro em overload. Uma pausa deste género ajuda sempre a consolidar conceitos, a descansar a mente, a ganhar outra vontade em jogar. A mim afetou-me bastante positivamente e estou com grande energia para o torneio! Como podem então concluir a minha preparação de última hora (últimas 2-3 semanas) foi de descanso e não me atormentar com as duas provas horrendas que fiz em fins de Agosto inícios de Setembro. Confio plenamente nos conhecimentos que tenho e que, francamente, quando estou motivado, focado, com energia e grande confiança representam uma força de jogo suficiente para me debater cara-a-cara com Mestres Internacionais (exemplo do meu torneio em Barcelona). Quanto à preparação com a FPX penso que um estágio de 2 dias é claramente insuficiente. É preciso algo muito mais intenso, prolongado e com outra antecedência. Compreendo que é algo difícil de se fazer e não estou a criticar a Federação de qualquer maneira pois sei que está a fazer o melhor possível para ajudar os seus atletas. No entanto está provado que um estágio de 2 dias em pouco ajuda.

5- Como avalias o trabalho da actual direcção da FPX? Quais seriam as 3 medidas que implementarias com carácter de urgência se fosses presidente?

No geral avalio o trabalho da atual direção da FPX como positivo. Se fosse presidente faria o máximo dos máximos para que o xadrez nas escolas primárias fosse implementado o mais rápido possível; apoiaria bastante, quer em termos monetários e não monetários, os clubes formadores; promovia a interação constante entre os melhores e mais experientes jogadores portugueses (Rui Dâmaso, Paulo Dias, Sérgio Rocha, António Fróis, Jorge Ferreira, por exemplo) com os jovens mais proeminentes.

 

6- Rápidas perguntas de resposta sim ou não

Jorge Ferreira e Pedro Neves estão a ter uma prestação paupérrima? Sim
Em Portugal depois de se chegar a MF é cada um por si?  Não
Francisco Castro esta a gerir bem o mandato? Sim
Nos próximos 3 anos perspectiva-se algum GM para Portugal? Não
Sim ou não ás jornadas concentradas? Sim
Existe excesso de estrangeiros no Campeonato Nacional da 1ª Divisão? Não
Carlsen Magnus é melhor do que Anand? Sim

7- Entra numa máquina do tempo e quando a porta se abre estás em 30-09-2016 … em que patamar está o Luís no xadrez e até onde pretende ir?

Será um Luís Silva já Mestre FIDE, com força de Mestre Internacional. Será também um recém regressado da 42ª Olimpíada que se realizará em Baku (grande sonho J ). Esse Luís Silva pretenderá tornar-se Mestre Internacional rapidamente e consolidar o seu lugar no Top 5 Nacional. Depois o tempo dirá se é possível aspirar a novos objetivos mais elevados.

  

 

8- Mostra aos nossos leitores aquele jogo que guardas e que tencionas nunca perder para mais tarde recordar, no fundo aquele jogo que mais te marcou até hoje … e descreve-o, não em pormenores técnicos mas em sentimentos … o que ias sentindo … no inicio … durante … e no fim do jogo.

Quanto a isto posso dizer que a escolha é realmente bastante difícil! Tenho tantos jogos que guardo em especial que me é muito complicado dizer aquele que é o mais marcante. A minha partida contra o NM Paulo Pinho no Torneio de Honra do Minho de 2012 foi bastante especial pois foi o corolário de grandes análises caseiras. Saber que o meu trabalho saiu na perfeição é me muito mais gratificante que uma partida bonita feita no tabuleiro (isto são questões pessoais claro). No entanto a partida que posso dizer que é a mais especial nem é a da última ronda do XV Obert Internacional Sant Martí onde garanti a norma mas sim a da 7ª ronda desse mesmo torneio contra o IM Perpynia Rofes. Depois de uma derrota no dia anterior pensei que ia perder sem grande luta. O meu adversário era daqueles jogadores que gosta de lentamente ir ganhando (não gosto desse tipo de pessoas que são parecidas comigo J ). No entanto, ao ver o meu adversário mudar o estilo da partida ao que seria expectável, a minha motivação foi crescendo e crescendo. A posição ia ficando mais confusa e ele com cada vez menos tempo. Eu sentia um turbilhão de emoções pois, houve momentos em que estive perdido mas, a posição era tão cheia de possibilidades que, ao mesmo tempo que sentia medo que ele acertasse, eu tinha sempre grande esperança. A adrenalina estava ao máximo e no fim consegui ganhar. Foi um jogo louco. Esta partida reacendeu o meu espírito e, apesar de estar esgotado fisicamente e mentalmente, a energia motivacional que me foi dada ao saber que estava a 1 ponto em 2 jornadas de fazer norma, fez com que me mantivesse na corrida! Nunca estive tão motivado para jogar xadrez como naqueles dias! Para mais informações consultem a crónica que eu fiz sobre toda esta prova em www.nxvscdidaxis.blogspot.com e deixem comentários!

 

9- Subida á 1ª Divisão Nacional, meias-finais da Taça de Portugal, fala-nos um pouco do espírito de equipa do NXV S. Cosme – Didáxis, da sua organização e do seu futuro

Foi uma época de sonho para o meu clube. Somos uma equipa diferente de qualquer outra em Portugal. O espírito partilhado entre nós revela grande união e só mesmo quem lá está consegue sentir o que quero aqui transmitir. Não é qualquer clube que se reúne todas as sextas-feiras para partilhar conhecimentos de xadrez ou jogar umas rápidas. Não é qualquer clube em que a equipa vai para qualquer jogo sempre junta. Um fator que ajuda em grande escala este espírito é o facto de sermos praticamente todos produtos da formação de um clube recente, ou seja, somos todos jovens mais ou menos da mesma idade e do mesmo meio. Assim sendo, desenvolveu-se uma competição saudável, o que é natural, e que permite a evolução contínua (o exemplo mais crucial penso que seja o caso Luís Silva - Bruno Gomes). Outro bom exemplo que ilustra o espírito do nosso clube é o caso da nossa nova coqueluche Tiago Messias. Atualmente aluno do 11º ano, apareceu para o xadrez há poucos meses. Aprendeu as regras básicas, envolveu-se na nossa comunidade, jogou uns torneios connosco, fez umas viagens em conjunto e ouviu os nossos conselhos. Em tão pouco tempo o interesse, bem como a força de jogo, aumentou em flecha. De notar que tudo isto só é possível porque temos um excelente headmaster que toda a gente em Portugal deve ter já como referência: Professor Mário Oliveira. Iniciar um projeto de raiz no âmbito da formação, numa zona onde o xadrez não existia, parecia impossível. No entanto em 10 anos somos o que somos! O seu trabalho é simplesmente fenomenal. Faz de tudo para ajudar o clube, é amigo de nós todos e mantém a ordem quando é preciso. Mais do que um dirigente é “O Dirigente” J.  O nosso clube é também bastante ajudado pela Escola Cooperativa de Vale São Cosme Didáxis, pela Associação de Pais da mesma escola, pelos Encarregados de Educação e pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

10- Uma situação/história caricata que te tenha ocorrido no tabuleiro?

Como sou um jogador bastante novato não tenho situações dessas que mereçam registo. No entanto em Barcelona no XV Obert Internacional Sant Marti pedi empate nos primeiros lances a um IM ucraniano na última ronda (resultado que me assegurava a norma) e o meu adversário com uma das caras mais carrancudas que eu vi, responde com um “NO” bastante agressivo. Por momentos ainda pensei que me fosse bater!

not luis silva mn  not luissilva norma

 

Acabamos assim mais uma entrevista, agradecendo a disponibilidade e simpatia para com o nosso site demonstrada por Luís Silva.
Muito Obrigado e força nesse Europeu, estamos a torcer por ti!

 

 

Regulamento de Competições 2012/2013

Hoje não publicamos mais um habitual “Dez Perguntas”, mas tentaremos fazer uma sessão de esclarecimento com o presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, Francisco Castro, sobre o novo regulamento de competições, em especial nas partes mais criticas, e aquelas que in ou off record se começam a manifestar. Ao contrário de uma habitual entrevista, vestiremos o fato de “Advogado do Diabo” e Francisco Castro irá defender-se e mostrar as ideias adjacentes a cada uma das questões/regras dos regulamentos. Não esmiuçamos todos os pormenores mas apenas as principais preocupações que os nossos leitores nos foram fazendo chegar.

  

(Campeonato Nacional por Equipas – Época transição 2012/2013)

Este regulamento resulta da consulta feita e publicitada para o efeito a quem quis participar, e portanto ás ideias que tiveram maioria de acordo dos presentes, ou apenas serviram para fornecer as ideias e o presidente da FPX decidiu?

Antes de mais queria agradecer-vos o convite para explicar alguns dos motivos que nos levaram a algumas decisões e não naturalmente para me defender. Felicito igualmente o vosso contínuo e excelente trabalho em promover e desenvolver a modalidade que todos tanto gostamos.
Queria também começar por explicar o que pretendemos das Reuniões Técnicas. A Federação organizou e promoveu duas Reuniões Técnicas com os agentes do Xadrez, foram abertas a atletas e dirigentes como vocês, a árbitros, treinadores e delegados da FPX. Basicamente foi dada a oportunidade a todos para, de um modo construtivo, darem o seu contributo para termos um regulamento mais plural e eficaz se é que assim se pode chamar. Apesar de termos cerca de 20 participantes em cada uma das reuniões sentimos que faltou a opinião de muita gente. Por exemplo, e certamente tiveram o seu motivo, não foi possível termos a vossa presença, caso estivessem estado algumas das questões que me colocam já estariam esclarecidas.
A Direcção apresentou algumas das suas ideias em ambas as reuniões técnicas. Algumas através do contributo dos que lá se deslocaram foram aperfeiçoadas e outras mesmo alteradas. Foram reuniões muito positivas e produtivas, a repetir no futuro.
Ou seja, a consulta foi muito influente na nossa tomada de posição.

A ideia de fundo e a mais marcante é a de que sairão 32 equipas dos campeonatos nacionais para os distritais, qual o objectivo concreto desta medida?

A premissa está errada. A ideia de fundo é clarificar os campeonatos e ajusta-los à nossa realidade. Esta nossa intenção estava espelhada no documento da nossa candidatura em Maio.
Vamos por partes, não se alteram regulamentos por alterar, identificámos os problemas e procuramos resolve-los.
Um dos problemas que identificamos foi a Fase de Apuramento da 1ª divisão que servia de uma espécie de divisão B, obrigava as equipas a grandes deslocações e tornava o modelo competitivo no mínimo confuso. Foi praticamente consensual o término deste grupo.
Outro dos problemas que identificamos foi a existência de demasiadas equipas nos Campeonatos Nacionais para a nossa realidade actual. Isto fez com que a qualidade desportiva baixasse. Afectou igualmente os Campeonatos Distritais de Equipas pois estes deixaram em alguns casos de terem equipas suficientes para se realizarem. Foi igualmente consensual que isto era um problema e que tinha que ser resolvido.
Identificado o problema, procuramos um modelo de competitivo que o solucionasse, e encontramos, em conjunto com a opinião dos presentes nas reuniões técnicas e daqueles que nos faziam chegar, o modelo de: 10 equipas na 1ª divisão, 8 equipas por 3 séries nas 2ª divisão e 8 equipas por 6 séries na 3ª divisão.
Identificada a solução final tivemos que encontrar a solução de transição. Como devem imaginar não é simples fazer um ajuste como este de um ano para o outro. Penso que a solução adoptada foi a mais justa e eficaz. A solução encontrada não ignorou aquelas equipas que competiram na época transacta e que obtiveram uma expectativa desportiva de disputar uma das respectivas divisões, facto que até alguns queriam que fosse efectuada já nesta época que se inicia. A época de 2012/2013 servirá para fazer o ajuste para o modelo final sabendo as equipas à partida o lugar que terão que obter para atingir os seus objectivos.

A 1ª Divisão Preliminar tinha como grande contra as deslocações extensas, e como grande qualidade o facto de apurar realmente as melhores equipas. Agora com o sistema de 3 séries da 2ª divisão, em que sobe um de cada série, corremos o risco de a troco de uma melhor distribuição territorial dos clubes que jogarão a 1ª divisão, estes não serem efectivamente os melhores. Ou seja, nada prova que o 2º ou 3º classificado da série A não seja melhor que o 1º da Serie B ou C, qual a tua opinião sobre o assunto?

Não encaro a questão desse modo. Mas apresentamos um modelo em que se criava uma liguilha com o 1º e 2º classificado de cada série para disputar os 3 primeiros classificados. Foi posta de parte pois não teve grande aceitação nas Reuniões Técnicas. Estamos sempre abertos a sugestões mas não se pode querer ter modelos perfeitos e dispendiosos e depois critica-los por serem dispendiosos.

As situações mais contestadas nos blogs de xadrez eram: Calendário com jornadas duplas, e Calendário demasiado curto ou sejam poucas equipas por série ou que as séries devessem ter uma 2ª volta o que tornaria tudo muito mais justo.
Ficou resolvida a questão das jornadas duplas, em relação á outra parte não se debateu ideia nenhuma?

O calendário reflecte a alteração das jornadas duplas, apenas haverá jornadas duplas no concentrado das últimas rondas. Quanto às outras propostas, estas conduziriam a um calendário muito focado nas competições de equipas e com custos acrescidos. Porém, pretendemos competição. Existem em todos os meses do calendário datas para a realização de torneios privados. A Federação deve ter um papel organizador dos eventos nacionais e um papel de facilitador nas organizações privadas, é essa a nossa visão. Apresentamos esta semana algumas dessas medidas, espero que o vosso clube e os demais procurem contribuir neste campo. O trabalho de dirigismo do xadrez não se reduz à Federação. Todos os dias nos clubes e nas escolas há dirigentes que dedicam o seu tempo de modo a que a nossa modalidade cresça e evolua. É para esses e com esses que todos os dias trabalhamos na Federação.

Afirmas-te ao nosso site que para esta época serão apenas e só os Portugueses a disputarem o campeonato que dará o título de campeão nacional de rápidas, sem intromissão na classificação de jogadores que não poderão conquistar o mesmo. Vais fazer o mesmo em relação ao título de semi-rápidas, ou o Open de Pampilhosa da Serra poderá “morrer” se retirarem a hipóteses de inscrições a jogadores não Portugueses ou o facto de decidir o título de Campeão Nacional de Semi-Rápidas? Aqui o dinheiro sobrepor-se-á ás convicções?

Mantenho o que disse e creio que essa “convicção” trará mais “dinheiro” aos jogadores portugueses e ao Xadrez nacional. Esta época apenas poderão disputar provas que atribuem o título nacional jogadores com nacionalidade Portuguesa. Naturalmente isto aplicasse a partidas Semi-rápidas e partidas Rápidas.
Já que falaram do Open de Pampilhosa da Serra deixa-me dizer que é um evento de grande qualidade, naturalmente não irá acabar e pela qualidade e empenho de quem o organiza creio que ano após ano ficará mais forte.

Há cerca de 3 ou 4 anos proposemos á FPX no seguimento de uma caso que infelizmente nos tocou, que a mesma em dias de jornadas da 2ª e 3ª divisão tivesse disponível um Árbitro via telefone para resolver as questões mais criticas, visto que a solução do Árbitro ser o delegado do clube da casa não é propriamente uma situação imparcial, que opinião tens sobre este assunto?

Creio que a solução passará por progressivamente haverem árbitros nomeados pela FPX para a arbitragem desses jogos. É algo que está sobre a mesa e que temos trabalho em conjunto com o Conselho de Arbitragem. Não se faz de um dia para o outro mas para ai caminharemos estou certo.

Porque é que a 1ª Divisão vai jogar toda concentrada e em dias consecutivos? Para atrair jogadores estrangeiros que permitam aos Portugueses obterem normas, ou tem outra qualquer ideia de fundo?

É o modelo que os jogadores entendem melhor para eles. Mais que as normas é uma prova forte onde se juntam os melhores portugueses e alguns jogadores estrangeiros de imensa qualidade. Foi opinião consensual nas várias Reuniões Técnicas que a 1ª Divisão se mantivesse nesses moldes.

  

A ideia de obrigar as equipas Portuguesas a terem pelo menos 50% de jogadores Portugueses a jogarem em qualquer jornada colectiva é há muito reclamada pela comunidade xadrezista, queremos dar-te os nossos sinceros parabéns pela coragem de finalmente a porem em pratica, mas não temes que esta regra seja nula/ilegal no âmbito do direito comunitário?

Não vemos argumentos para esta medida ser ilegal e por isso não me sinto preocupado. Porém, defendemos o cumprimento da Lei e qualquer decisão de um órgão competente será cumprida.

“…Tenho também reservas se o concentrado não poderá conduzir ao efeito contrário ao pretendido: nestas condições as equipas que melhor se apresentarão nesse fim-de-semana serão as equipas com jogadores mais disponíveis ou em melhores condições financeiras, não necessariamente as mais fortes em tabuleiro. Não é, decididamente, o momento para aumentar as despesas dos clubes, sob pena que estes se extingam!...”

Apesar de não encontrar nenhuma pergunta na frase procurarei esclarecer. Suponho que a frase não é vossa pois seria incoerente com o que acima me perguntaram. O concentrado não trará praticamente acréscimos de despesas pois procuraremos fazer 2 ou 4 concentrados pelo país de acordo com a geografia das séries. Resultará em mais uma deslocação ou eventualmente numa estadia mas a oferta também é superior. Tem vantagens que consideramos significativas. As subidas de divisão serão definidas com todas as equipas presentes, o que trará alguma emotividade. Haverá árbitros nomeados pelo Conselho de Arbitragem. E acima de tudo trará alguma proximidade e convívio entre os praticantes.

“… Qual foi a razão para a retirada da regra dos 150 pontos no escalonamento das equipas, voltamos à parvoíce do sacrifício no 1º tabuleiro?...”
 “… Porque razão é permitido dar Falta de Comparência nos tabuleiros superiores? Isto faz com que uma equipa possa jogar com 2 e ganhe com facilidade (1º e 4º) …”

A “parvoíce” são essencialmente as faltas de comparência. Esqueçamos as faltas, fará sentido impor algo às equipas? Discordo.
Fará sentido que uma equipa só porque um jogador teve uma infelicidade e não conseguiu chegar a tempo ao jogo que a equipa seja penalizada em conjunto? Discordo.
Harmonizamos os nossos regulamentos neste ponto aos regulamentos da Federação Internacional.

“… Prevê-se uma longa travessia no deserto para os clubes que caiam aos distritais, principalmente no distrito leiriense, já que na época seguinte o distrital não deverá ter mais do que 2 equipas... em vez de um campeonato de 7 jogos, terão um de 1 ou 2 jogos, vão ser momentos duros e desanimadores que esperamos não façam esmorecer ou mesmo extinguir nenhum clube…”

Efectivamente Campeonatos Distritais com poucas equipas são desanimadores. Creio que a redução das equipas dos Campeonatos Nacionais solucionará esta questão. Além disso necessitamos de crescer como modalidade para termos muitos clubes.

“…Que medidas estão adoptadas neste regulamento para que não se volte a verificar a vergonha que foi a participação da equipa de Albufeira no recente campeonato nacional da 1ª Divisão, deturpando a classificação, impedindo jogadores de obterem normas, dando uma imagem ridícula do campeonato nacional?...”

As medidas estão espelhadas no regulamento de disciplina. Esperemos que não se volte a repetir, mas isso é da responsabilidade dos dirigentes e dos clubes.

“… Nomeadamente qual a lógica subjacente ao facto de uma equipa B não poder subir caso a equipa A desça... no fundo a equipa B anda a jogar a feijões e pode deturpar o campeonato…”  

A equipa B pode lutar para vencer a sua série e ser Campeão da respectiva divisão. Não faria é sentido uma equipa B servir de almofada da A.

“… Como se apuram as 4 equipas da 3ª que sobem á 2ª Divisão, já que serão 8 equipas as vencedoras das séries?...” 

Sorteio puro entre os vencedores das séries da 3ª Divisão, sobem os 4 primeiros com capacidade para tal.

Ps: Francisco Castro explicou-nos que serão 4 contra 4, e os 4 vencedores serão os que vão subir e que irão lutar pelo título de campeão. Se num desses 4 estiver um clube que não possa subir, por exemplo uma equipa “B” ou “C”, os 4 eliminados jogarão entre si também em sistema eliminatório até se encontrarem os 4 que podem subir. Ou seja uma equipa B pode lutar para ser campeã mas não pode subir. No grupo onde a equipa “B” ou “C” seja campeã não será o 2º classificado a assumir o papel do 1º. Algo que não parece estar muito explícito, mas que por dedução se poderá tirar essa conclusão, no entanto sugerimos que esta “norma” seja inquestionável, pelo que deveria constar do regulamento para evitar problemas futuros.

   
Todos x Todos Concentrado Todos x Todos Sistema Casa Fora
Todos x Todos Sistema Casa Fora – Concentrado nas rondas 6 e 7
2ª Divisão Acesso a Poule subirá apenas 1   ***     3ª Divisão Acesso a Poule subirão 4
Sobem no máximo 8 equipas dos Distritais á 3ª Divisão
Época 2013/2014
Sobem 12 equipas dos Distritais á 3ª Divisão, podendo haver repescagens entre 2ºs classificados dos Distritais caso seja necessário

Resta-nos agradecer a disponibilidade de Francisco Castro – Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, que mais uma vez deu a cara pela Direcção, não se escondendo para não ser alvo de criticas. Cumpre desde já através deste regulamento algumas das suas promessas eleitorais e deixa-nos com grandes expectativas em relação ao circuito nacional de partidas clássicas e em relação ao novo site da FPX.
Criticas existiram e vão sempre continuar a existir, Direcções perfeitas não existirão, mas o timing da apresentação dos regulamentos, do calendário nacional, a coragem de lançar medidas impopulares, a coragem e o risco que assumem ao concretizarem as jornadas 6 e 7 concentradas, o cumprimentos das promessas anteriormente feitas, leva-nos a crer que os políticos poderiam vir ao Xadrez aprender qualquer coisa.
Insuspeitos por sermos um dos clubes que facilmente poderíamos criticar este regulamento, já que ao fim de muitos anos subimos de divisão, e o 6º lugar que nos daria a manutenção agora só o conseguiremos com o 3º, reconhecemos no entanto os superiores interesses do xadrez e estamos orgulhosos do trabalho que o “nosso” Presidente / Direcção tem feito até á data. Não percam a determinação e continuem a zelar pelo interesse de todos nós, obrigado!

Ps: O atraso na publicação foi da nossa responsabilidade, se é que se pode chamar atraso, já que foi publicado 4ª Feira conforme prometido.

 

    

Depois de acabar o jogo, o meu adversário pediu-me em casamento

Margarida Coimbra – Mestre Fide Feminina

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Ao Décimo dia do Décimo Mês, eis a Décima entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi ao encontro da Mestre FIDE Feminina Margarida Coimbra.
Está optimista em chegar a WMI a curto prazo, e confessa que é o seu próximo objectivo. Aceitaria trabalhar de bom grado com Kevin Spraggett, e em relação ás Olimpíadas considerou como boa a participação da Seleção Nacional masculina, já a participação feminina e a sua própria classificou apenas de razoável. 
Para festejarmos este número tão especial, decidimos excepcionalmente alterar de dez para quinze perguntas, que esperamos sejam do vosso agrado.
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1- Conta-nos um pouco como é ser a Margarida Coimbra no xadrez e fora dele

No xadrez sou uma pessoa séria, empenhada e tento sempre dar o meu melhor. Fora do xadrez sou bióloga e dedico a maior parte do meu tempo livre ao xadrez. Gosto muito de cinema, de ler e adoro fazer tiro com arco. Sou essencialmente uma cidadã do mundo. Como dizem os meus amigos eu vivo dentro da mala de viagem!

2- Como é feita a tua evolução neste momento, tens treinador, estás por tua conta, conta-nos um pouco dos teus métodos

O meu treinador é o M.I. italiano Mário Lanzani, trabalhamos juntos já à alguns anos, principalmente estruturas de meio jogo específicas das aberturas que eu jogo e finais. Para além disso tento dedicar pelo menos duas horas por dia ao xadrez, analisando as minhas partidas, fazendo problemas ou a jogar.

3- Como está o espírito de equipa da Associação Operária de Palma e Arredores? Divertem-se juntos, apenas jogam?

O espírito da equipa está óptimo, já nos conhecemos há muitos anos e somos, acima de tudo, amigos. Jogamos juntos, tentamos dar o nosso melhor, apoiámo-nos mutuamente, mas também nos divertimos.

4- Brilhas-te no campeonato nacional por equipas em 2010/2011 como acompanhas-te o campeonato deste ano, deve ter sido frustrante ficar de fora, tinhas convites para sair?

Tive pena de não poder participar na 1ª divisão porque é um torneio único em Portugal. Tive alguns convites para representar outros clubes que jogaram a 1ª divisão, mas acho que a decisão de mudar de clube não deve ser, única e exclusivamente, devido à possibilidade de jogar um único torneio.

5- Três medidas que consideres imprescindíveis para a evolução do xadrez nacional?

A primeira medida seria a divulgação da modalidade começando por introduzir o xadrez em todas as escolas básicas do país, aumentando assim a probabilidade de existirem mais jogadores. A ideia seria dar a possibilidade a todos de aprenderem e começarem e os que gostassem podiam manter-se e passar a jogar a nível federado. Esta medida de promoção seria óptima para mudar a ideia que as pessoas têm do xadrez.
A segunda medida seria criar uma estrutura de apoio a vários níveis, do inicial ao profissional. Nos últimos anos tem sido feito um bom trabalho de apoio a jovens jogadores, mas pouco ou nada se faz em relação aos jogadores que gostariam de ser profissionais e que representam as selecções nacionais em provas oficiais.
A terceira medida seria a organização de vários torneios fortes e competitivos no país. Por exemplo, Lisboa é uma das poucas capitais europeias que neste momento não tem um único open internacional.

   

6- A China começa a dominar o xadrez feminino, quer a nível individual quer a nível colectivo, tens ideia de como isto foi projectado? Como formarias uma selecção nacional feminina Portuguesa para atingir o pódio numas olimpíadas? Por outras palavras tens agora um milhão de euros á tua disposição e tens 5 anos para conseguires esse objectivo, como farias?

A China é um país muito grande e o número faz a diferença. Começam por ensinar xadrez a dezenas de milhar de crianças e os que são melhores, os que têm potencial para ir mais longe tornam-se profissionais. São apoiados pelo estado e dedicam-se única e exclusivamente a jogar.
Sinceramente acho que, mesmo com um milhão de euros, 5 anos são poucos para conseguir obter um lugar de pódio numas olimpíadas. Começaria por apoiar os jogadores da selecção nacional de forma a que se pudessem dedicar a sério a estudar xadrez. Depois contrataria um bom treinador para as selecções nacionais que fizesse um plano de trabalho completo e visando o melhor para cada um dos jogadores. Seriam organizados estágios com o treinador para ver a evolução de cada um e para delinear o trabalho individual. Escolheria torneios específicos para cada jogador.

7- Rápidas perguntas de resposta sim ou não
  
A campeã nacional feminina devia ter assento directo na fase final que atribui o título de campeão nacional? Não
António Pereira dos Santos foi um bom seleccionador? Sim
Francisco Castro esta a iniciar bem o mandato? Sim
O título de WGM é provável para a Margarida? Sim
O Zé Bomba é um chato de um Machista? Não
Gasta-se demais na formação e de menos com quem quer singrar no xadrez e que já deu provas da sua qualidade? Sim

   

8- O que te agradou mais na entrevista da Catarina Leite ao nosso site?

Gostei muito de ler a entrevista da Catarina, tal como ela disse somos amigas e gosto sempre de ler as opiniões dela. Estou completamente de acordo com as opiniões da Catarina e gostei da sinceridade e franqueza das respostas.

9- A Catarina disse-nos que são amigas, conta-nos como foi o “espírito” olímpico da selecção nacional feminina, desde o capitão ás jogadoras, a todo o meio envolvente

A relação entre as jogadoras foi muito boa! Demo-nos bem entre nós e não houve nenhum problema; tentámos dar o nosso melhor e jogamos sempre pela equipa. O capitão, Fernando Silva, esteve sempre presente durante os nossos jogos e apoiou-nos. Todos os dias à noite fazíamos uma reunião com o capitão, onde falávamos sobre as partidas desse dia e decidíamos a equipa do dia seguinte. Um agradecimento especial à Ana Ferreira que esteve sempre connosco e deu-nos o seu apoio para que tudo corresse da melhor forma.

10- És uma leitora assídua do nosso site? Qual é a tua opinião geral e o que te agrada mais e menos?

Para ser honesta já há algum tempo que não leio os sites e blogues de xadrez nacionais. Mas tenho acompanhado o vosso site (recebo a informação via email) e parece-me bastante bom. Têm feito um óptimo trabalho de cobertura dos torneios e a parte das entrevistas é muito interessante. Parabéns!

  

11- Vais dar-nos a honra de participar no 3º João Duarte dos Santos? O que consideras mais interessante neste Torneio?

Espero que sim! É o segundo convite que me fazem e nada me daria mais prazer do que jogar o vosso torneio Tudo depende se estarei em Portugal nessa altura ou não.
Considero este torneio muito interessante, mas se tivesse que escolher um aspecto seria, sem dúvida, o convívio entre os jogadores.

12- Qual poderia ser o resultado á melhor de 10 partidas entre Judit Polgar e Hou Yifan?

Neste momento creio que o resultado seria 6-4 a favor da Judit Polgar.

13- Uma situação/história caricata que te tenha ocorrido no tabuleiro?

Já me aconteceu de tudo com os meus adversários! Desde a beijarem-me a mão antes de jogar, a baterem-me palmas depois de acabar o jogo. Mas acho que o mais cómico que já me aconteceu foi, depois de acabar o jogo, o meu adversário pedir-me em casamento.

14- Qual o jogador mais bonito no mundo do xadrez?

Uma pergunta difícil! Dos jogadores do top talvez o Morozevich.

15- Qual a pergunta que ficou por fazer que gostarias de responder e qual a respectiva resposta?

Qual foi o jogador que mais gostaste de conhecer? O Ivanchuk!

   

 

    

 “Voltei a divertir-me no xadrez com os amigos”

Diogo Alho – Mestre Nacional

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Nona entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi ao encontro do Mestre Nacional Diogo Alho. Porquê o DA e não outro qualquer? Sobretudo porque o xadrez lhe deve no mínimo este tributo pelo que está a fazer no xadrez nacional abraçando e dedicando-se de corpo e alma a um projecto que já é um sucesso (2 equipas nos nacionais, vários Torneios, um blog, entre outros), apesar da “sabotagem” que o seu clube foi alvo na época transacta. E quem faz algo tem o direito legítimo de criticar, é o que faz quando á curta duração dos campeonatos, aos fins-de-semana de jornadas duplas, e ao que se passou no nacional de rápidas. Para o xadrez evoluir reivindica mais torneios em todos os distritos e formação de dirigentes e monitores. É da opinião que Francisco Castro está a iniciar bem o mandato e revela uma posição curiosa, questionando-se e revelando-se contra a divisão do xadrez Masculino do Feminino.
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1- O que leva um Mestre Nacional a jogar a 3ª divisão quando poderia estar a jogar a 1ª?

Em determinada altura decidi ter mais tempo de qualidade no xadrez. Decidi que chegava de andar fora das minhas raízes e voltar a criar e estimular a prática do xadrez em Torres Novas. Penso que esta atitude faz falta de uma forma global e contribui para isso ao mesmo tempo que contribui para o tempo de qualidade que ambicionava. Pensei essencialmente em voltar a divertir-me com os meus amigos de infância, independentemente da força de cada um. Todos dão o seu melhor e não há ninguém que possa chatear o outro por algum resultado. No final, o lema é que isto tem de ser um prazer.
A 1ª divisão também deixou de ser atractiva pois implica uma semana de férias. Como profissional com horários liberais, é muito difícil garantir esse período e garantir que se está de cabeça livre para semelhante torneio. Na última que joguei, apesar de estar de férias, antes de jogar com o GM Ftacnik andei a fazer na manhã antes do jogo que era às 15h00, viagens de Évora a Sines e de Sines a Évora, devido a compromissos profissionais. Não acredito que se não as tivesse feito que o resultado desse jogo fosse diferente (perdi), mas não acho que seja forma de abordar um torneio desses.

2- A obtenção de uma norma de Mestre Internacional no festival da Figueira da Foz foi o momento mais alto da tua carreira no xadrez?
No site http://www.xadrez64.com/jogador/Diogo_Alho observamos que vais com 10 vitorias consecutivas (Agosto 2012), o titulo de Mestre Fide está por uma unha negra...

Fico dividido entre a representação de Portugal no Mundial sub-16 em Singapura e esta norma.
Não, ainda falta muito. Já estive por duas vezes a uma partida de chegar a MF, nas duas perdi. Aí sim, pode-se dizer que foi por uma unha negra.

  

3- Define as características da tua equipa, os jogadores, as relações, a qualidade …

É malta de Torres Novas ou ligada a TN. Antes de equipa de xadrez é um grupo de amigos que gosta de divertir-se com o xadrez. Também gosta de jantaradas, beber um copo e conviver. Em relação à qualidade de jogo, cada um joga o que pode, com a preparação (ou não) que consegue fazer. Não somos profissionais, mas damos o que temos a jogar.

4- Quais os objectivos traçados e alcançados na corrente época, o que falta ainda conquistar e quais as metas e novos projectos do CCTN para a época 2012/2013?

Conseguimos mobilizar jogadores suficientes para ter duas equipas nas Divisões Nacionais. Subimos de divisão com a nossa equipa principal. Mobilizámos jogadores que andavam semi-afastados da modalidade e inclusivamente alguns adquiriram objectivos pessoais de evolução. Apenas não ganhámos a 3ª Divisão. Para 2012-2013, ainda não sei com o que podemos contar, mas tudo aponta que temos de pensar em crescimento sustentado, isto é, formação e criação de hábitos de xadrez na cidade e Distrito. Espero que cheguemos em poucos anos aos 30 jogadores activos em Torres Novas, mas é preciso trabalho e sorte. Pretendemos igualmente criar e manter provas-âncora em Torres Novas.

5- Com que apoios/patrocínios contam … material, instalações, deslocações, torneios etc.?

Para além do apoio do Cine Clube de Torres Novas, do qual fazemos parte, que nos deu até hoje o apoio institucional e instalações, contamos com o apoio de todos os jogadores para fazer frente a todas as despesas inerentes à prática do xadrez. Em suma, temos uma sala o que é óptimo e pagamos rigorosamente tudo, desde o detergente para lavar a sala até às despesas federativas. Estamos satisfeitos pois não existem dívidas.
Para recebermos alguma coisa, temos de dar em primeiro lugar. Não se pode tirar onde não há.

 

6- Verificámos que tal como GM Luís Galego também não ficaste nada satisfeito com o formato do campeonato nacional de rápidas, inclusive recusaste-te a disputar a final B da competição individual… queres explicar aos nossos leitores?

A razão pela qual não joguei a Final foi devido ao atraso com que esta começou. Tínhamos compromissos relativamente à hora de chegada a TN e com semelhante atraso ficou impossível. No entanto, é verdade que fiquei insatisfeito quanto ao formato do Campeonato. Independentemente da força dos jogadores, para discussão de um campeonato nacional apenas deveriam ser considerados jogadores elegíveis para o título. Os restantes ainda que não considerados para efeitos de título influem na classificação. Como comprovativo desta afirmação, o MI Rui Dâmaso seria o campeão nacional se considerarmos apenas os portugueses na final.

7- Verificámos através do vosso blog http://xadrezcineclube.blogspot.pt/ que também não apreciaram o curto modelo e de jornadas duplas na 3ª divisão, fala-nos um pouco disto

A maioria dos clubes participa nesta prova como a prova rainha da sua época. Assim, penso que a velocidade com que foi jogada estragou a emoção e a divulgação que esta poderia ter para cada clube. Perdeu-se a sensação de campeonato. Para além disso havia séries só com 7 equipas, o que é pouco.
É igualmente de salientar que para qualquer jogador é difícil retirar fins-de-semana inteiros para a prática do xadrez.
Na 2ª Divisão houve clubes que tiveram um incremento de custos terrível.
O único benefício foi aparecimento de mais datas para outras provas, as quais não se aplicam à maioria dos clubes participantes e para evitar as sobreposições poder-se-ia ter começado a competição mais cedo.

   

8- És um leitor assíduo do nosso site? O que te agrada mais e menos?

Sou e gosto do vosso site.

+ A abordagem desportiva do xadrez. Faz-nos falta para a massificação e para o gosto da leitura recreativa. Apesar de amador não deixa de ser um desporto e as antevisões e rescaldos fazem parte disso, se bem que não haja essa cultura em Portugal.

- Penso que poderiam melhorar o grafismo e a pesquisa de artigos antigos. Por exemplo, não consigo fazer um link a um artigo vosso, mas sim a todo o site. Pode ser também azelhice minha!

± As trocas amorosas. Por vezes penso se serão necessárias. No entanto, o site é vosso e portanto vocês é que sabem. No nosso site também temos as nossas coisas, só damos notícias nossas, tendenciosas, mas faz parte da política de empolgamento das massas. Pode haver também quem não goste.

9- O xadrez distrito de Santarém, apesar de ter 3 clubes emblemáticos: a Casa do Xadrez, o SC Abrantes e a vossa equipa que sucede na tradição ao GX de Torres Novas, a nível distrital parece tudo paradíssimo, não nos chegam ecos dos derbys, das disputas de títulos de campeões distritais de rápidas, semi rápidas da taça da A X Santarém, como observas este fenómeno no teu distrito?

Triste. Temos de dar a volta a isso. Estamos a tentar recomeçar a onda que assisti no final dos anos 80. Não sei se conseguiremos mas iremos tentar. A falta de renovação dos jogadores é a principal causa deste fenómeno que se verifica nos distritos com menor actividade. Para tal, é fundamental ter vários pólos de xadrez no Distrito para a diversificação. Sou contra o aglutinamento num só clube, pois acaba por matar a modalidade.

10- Qual o teu melhor jogo de sempre, aquele que tu assim o consideras, mais do que a parte técnica, conta-nos um pouco dos sentimentos vividos nessa partida, o antes, o durante e o após jogo.

O jogo que mais recordo não tem a ver com a parte técnica, foi num encontro de equipas na Galiza em que necessitávamos de um 3-3 (lá jogava-se a 6 tabuleiros) e em determinada altura o empate parece boa opção no meu jogo.
Jogava-se a 2hrs para 40 e houve uma fase de loucura com ataques e peças a sair do tabuleiro. Acabei por ganhar e foi a uma festa.
Antes do jogo estávamos todos com caldinhos de galinhas e cuidados e estratégias, durante o jogo, a posição passou de estratégica a táctica num ápice e todos os caldinhos de galinha ficaram sem efeito. O primeiro pensamento foi: mas que raio é que onde me estou a meter?
Mais tarde, o capitão (assustado) timidamente pergunta-me se não quero empatar, numa posição com peças no ar, quase encostado ao lance 40 e consequentemente com pouco tempo, mas, eu que fizesse o que bem entendesse pois ninguém entendia daquilo. Aqui valeu a vontade de ganhar e achei que nas outras cinco partidas só iríamos fazer 2 pontos. Acabei por decidir jogar e a minha vitória acabou por ser decisiva.

 

Resta-nos agradecer a entrevista que o nosso amigo teve a amabilidade de nos conceder, e dar-lhe força para continuar com este projecto. Já sabemos que desta vida levamos algumas coisas boas, e entre elas estão sem duvida os amigos. Não sei se será pedir muito, mas uma vaga de fundo deveria abrir-se para que DA pudesse dar um empurrãozinho ao distrito.
Até para o Mês que vem, com mais um(a) convidado(a)

 

   

 “Vamos receber uma prova do Grand Prix, será a prova mais forte de sempre em Portugal”

Dominic Cross – Candidato a Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez

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Oitava entrevista da rubrica “dez perguntas”, que desta vez entrevistou mais um candidato á Presidência da Federação Portuguesa de Xadrez.Dominic, elogia o grupo que conseguiu reunir em torno de si próprio, e crê que o mesmo vai fazer algo de diferente no panorama xadrezista nacional. Deixa também implícitos elogios á anterior Presidência, dando ênfase ao que de bom foi feito e ao que esta deixa como herança.
Seguem-se as palavras de alguém que respira xadrez…

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1- Conta-nos um pouco de como a magia do xadrez entrou na tua vida e um pouco do teu curriculum no mundo do xadrez

Aprendi as regras aos 6 anos, mas a serio foi quando a minha tia-avó ofereceu-me um tabuleiro aos oito anos e desde ai nunca mais o larguei. Jogava com quem podia e procurava sempre pessoas que soubessem jogar. Um dia vimos um cartaz dum Torneio de xadrez e a minha mãe decidiu inscrever-me na prova. Era a primeira edição do Open Damiano em Odemira. Consegui ser o primeiro infantil do Open. Dois anos depois inscrevi-me no Núcleo Desportivo e Cultural de Odemira que tinha uma secção. Mas passado pouco tempo a secção ficou sem dirigente, assim vi-me obrigado a ser secionista. Aos 13 anos comecei a organizar torneios locais com os amigos. Cheguei a percorrer varias vezes 17 km de bicicleta porque não havia autocarros aos sábados, para organizar torneios e mais 17 km de regresso. Ajudava na organização do Open Damiano que me permitiu aprender o Suíço à mão.
Para ter mais jogadores ensinava xadrez na escola primária de Odemira. Vimos-nos filiar mais tarde e organizamos os distritais jovens distrito de Beja entre muitas outras provas. Chegamos a reativar a associação distrital de Beja.
Nessa altura também joguei alguns nacionais de jovens logo no primeiro em que participei tornou-se mítico o nacional de Ourique.
Quando ingressei na Universidade de Coimbra, em 98, inscrevi-me na AAC e desde ai jogo na académica, tendo passado por vários cargos da direção inclusive Presidente.
Há quatro anos eu e o Paulo Rocha criámos o site xadrez64.com para fazer face a falta de divulgação do xadrez na net.
Nos dois últimos anos integrei a direção da federação.

 

     

2- O que te leva a candidatar a presidente da fpx?

Um gosto muito grande pelo xadrez e saber que com a minha experiência e com esta equipa directiva podemos acrescentar muito para que se possa melhor a situação actual. Nestes dois últimos anos trabalhei muito e cada tarefa ou objectivo que se concluía aparecem sempre mais desafios. Percebi a dimensão do que é estar na direcção e ver concretamente a imensidão de coisas que tem ser melhoradas e novos desafios que temos alcançar. Não me candidataria se não tivéssemos uma boa equipa de direcção com um misto de experiência e juventude para agarrar os desafios. Temos uma motivação extra por sermos todos amantes do xadrez.

 

        

3- Que Balanço fazes do trabalho realizado pelo Eng.º Jorge Antão na FPX? És considerado o candidato da continuidade … o que te diferencia do Eng.º Jorge Antão?

O novo regime Jurídico veio alterar profundamente as federações. Perdemos muitos anos a discutir os estatutos em que podíamos nos ter focado no desenvolvimento do xadrez. A nova lei veio alterar o funcionamento da federação e este mandato foi de transição com 2 anos para o novo regime jurídico de federações. Estas eleições, que se iniciam com o ciclo olímpico de 4 anos, permite pensar um projecto a sério e em estratégias de longo prazo. A nova lei veio dar demasiados poderes ao Presidente da FPX retirando às assembleia geral e à direcção. Não acho que seja benéfico para a federação de xadrez ter um sistema presidencialista. Foi uma lei para a federação do futebol e nós temos que aguentar com ela.
Considero globalmente positivo. Foi a primeira vez que uma direcção chegou ao fim do mandato. Habitualmente as direcções caíam antes. A reorganização e a clarificação das contas da fpx e um saldo positivo de 50 mil são um factor de estabilidade para a próxima direcção.  A nova direcção tem a vida facilitada e pode agora olhar para futuro sem ter passivos antigos de 3 ou 4 anos para trás.
A informatização dos recibos, as páginas de internet internas dos clubes onde se podem fazer as filiações, inscrições em provas e ver a relação das contas. Ainda a introdução online dos resultados dos jogos por equipas são avanços significativos. Agora, à distância dum clic, sabemos a classificação e os resultados das rondas, no mesmo dia!
Infelizmente foi preciso fazer cortes e contenções que condicionaram a modalidade mas é preciso ter em mente que não se pode gastar mais do que se tem.

4- Quais as três medidas que achas serem prioritárias para os próximos tempos?

Só três. Há muitas.
Uma das primeiras e criar um novo portal da FPX. A página de entrada da FPX tem ser mais apelativa. Conjugar com as páginas das várias provas existentes, do elo e partidas. Precisa de actualização diária. Urge informar melhor a comunidade xadrezística das actividades da FPX. Precisamos criar um procedimento de dar resposta às solicitações e questões colocadas a FPX e meter o xadrez nos media.
A segunda será aumentar o número de filiados. Com acções como a criação dum gabinete de apoio ao novo clube, de forma a acompanhar a criação de novos clubes de xadrez e mas também de forma estratégica através dum plano Nacional de desenvolvimento do xadrez com foco para a comunidade escolar. Precisamos de apoiar os dirigentes dos clubes e associações, eles são o motor do xadrez. Haverá mais xadrez quando tivemos mais dirigentes. Devemos ter acções que os compensem pelo esforço. Só há clubes quando haver dirigentes porque 4/5 jogadores não fazem um clube.
A receitas da fpx são reduzidas pelo que é preciso trabalhar na angariação de apoios seja nas câmaras municipais ou empresas. Precisamos de agir no sentido das provas serem atractivas para os patrocinadores. Seja pela sua divulgação nos media e pela página na net. Só assim podemos criar condições para que as provas sejam menos dispendiosas para os praticantes.

5- Com a ausência da equipa das quinas do recente europeu, podemos dizer que o xadrez nacional bateu no fundo? Não teria sido preferível ter uma representação nem que fosse de jogadores de 1600 que estivessem na disposição de pagarem do seu bolso essa representação?

Penso que não. Portugal não participa no europeu há muitos anos. É uma prova muito dispendiosa, porque tem de levar 5 jogadores absolutos e claro, a selecção feminina também não podia ficar excluída. Ao todo estamos a falar de 10 pessoas. No último europeu em Porto Caras (Grécia) a prova foi organizada num hotel 5 estrelas. Para quem não ficasse no hotel tinha pagar uma taxa extra de 250 euros por jogador e se ficássemos no hotel, mais as viagens, transfers e inscrição, o custo ia para 15 mil euros, valores proibitivos para a fpx, se pensamos que isso representa 10% das receitas reais da fpx. Foram procurados soluções e foi discutida a presença, mas infelizmente ainda não foi possível.
Uma representação portuguesa de jogadores que tem 1500 euros para gastar em 10 dias, não sei se seria muito representativa de Portugal.

6- Para quem já viveu os momentos de ouro dos festivais de Lisboa, da vinda dos grandes nomes internacionais a solo luso, recentemente não temos tido jogadores a tirarem normas, perdemos o Open da Figueira da Foz, tens alguma mensagem para deixar aos xadrezistas lusos que ainda tem a esperança de que Portugal possa vir a viver de novos momentos mágicos?

Portugal irá receber para o ano (2013) um prova do Grand Prix, prova oficial de apuramento para o campeonato do mundo segundo a vontade de Andrew Paulson dono da Agon, quando reuniu com a FPX. Este torneio fechado de 12 jogadores conta normalmente com 5 jogadores do top 10 e outros 5 do top 30. Assim é bem provável que um Magnus Carlson e um Aronian nos venham a brindar com o seu xadrez. A empresa Agon é detentora dos direitos de organização do ciclo do campeonato do mundo. A Agon pretende organizar a prova em Lisboa com o apoio da Federação, sem que isso implique quaisquer custos para a FPX. Será um momento fantástico porque terá uma visibilidade enorme em todo mundo e vai permitir que o xadrez tenha um grande destaque na imprensa nacional, nomeadamente na televisão. O evento terá um figurino de festival aberto para os jovens e outras actividades paralelas e permite à Federação uma grande carteira de contactos na área empresarial que podemos potencializar para a promoção do nosso xadrez. Será a prova mais forte de sempre em Portugal.
Este ano, em Agosto, teremos também o Mundial Universitário em Guimarães que também vale a pena uma visita

 

7- Que imagem tens do site da Casa do Povo do Bombarral (http://cpbombarral.comuv.com/), o que mais te agrada, o que gostas menos, e o que alterarias?

Está a melhorar diariamente e a dar um contributo na divulgação do xadrez.

8- Tomas-te conhecimento do 2º Torneio João Duarte dos Santos? Qual a sua opinião sobre as características peculiares do mesmo?

O xadrez tem de ser diversão e provas deste cariz devem fazer-se sem medo. As provas não deixam de ter brilho por não terem prémios monetários. É uma iniciativa bonita com vista a homenagear as pessoas ainda vivas. O único barbeiro, ao estilo do “barba e cabelo” do Jornal A Bola, só que desta feita a conversa é sobre xadrez.

Mais uma vez referimos de que não nos cabe a nós fazermos juízos de valor, nem tão pouco tomar posição sobre os candidatos. É óbvio que não nos é indiferente esta questão e por isso demos voz a ambos, a nossa “influência” passa apenas e só por aqui. Esperamos ter sido úteis nesta questão, e desejamos que ganhe o xadrez, que haja vontade e coragem para partir para uma nova era onde o xadrez seja o Rei!
Queremos agradecer o facto do Dominic Cross nos ter concedido esta entrevista, e renovamos os mesmos votos que fizemos ao Francisco Castro … que consiga ter a força, a coragem e o saber necessários para levar o xadrez ao pedestal que merece estar! Obrigado.
Até para o mês que vem, com mais um convidado(a)! 

 

    

 “Irei ser candidato a Presidente da FPX”

Francisco Casto – Candidato a Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez

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Sétima entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi entrevistar e dar a conhecer alguém que pretende modificar o Xadrez em Portugal. Pretende transformar o xadrez num desporto de massas levando a todos a nossa modalidade, quer criar mais competição e não deixou de tomar posição sobre o sistema “Jornadas Duplas” que se tem debatido na net, afirmando que é prejudicial para o Xadrez. Terá chegado a hora de quem se bate por uma maior profissionalização do Xadrez? Uma coisa parece certa, e passando a citar “… Devemos ser mais exigentes e ambiciosos para com a Federação Portuguesa de Xadrez …”
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  1. Conta-nos como o xadrez se introduziu na tua vida 

Em primeiro lugar, e antes de responder às perguntas, queria agradecer-vos o convite para este simpático momento e felicitar-vos pelo vosso sitio na internet. São iniciativas como a vossa, e que felizmente existem algumas pelo pais fora, que tornam a nossa modalidade ainda mais apelativa.
Quanto á questão, o Xadrez apareceu na minha vida via paternal e um pouco por acaso. O meu pai joga xadrez desde a juventude e introduziu o jogo, a mim e aos meus irmãos, na nossa infância. Apesar disto apenas comecei a jogar com 11 anos quando disputei um campeonato interno do Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos que o meu pai achou interessante levar-me a competir. Fiquei em último mas o interesse pelo jogo começou a aparecer e guardo igualmente recordações da mesa de ténis de mesa que havia na sede e que igualmente me fascinava.

  1. Fala-nos um pouco do teu clube, O Clube dos Galitos (Aveiro), pessoas, organização, objectivos … 

O Clube dos Galitos é uma instituição extremamente importante no movimento associativo e desportivo da Cidade de Aveiro a par do Beira-Mar. O Xadrez aparece nos Galitos há cerca de 8 anos, impulsionado por Dinis Furtado. Durante estes anos tem sido um clube de referência do Xadrez nacional a nível de formação. A isto muito se deve o trabalho de base realizado por Dinis Furtado que apesar de ter um feitio muito muito difícil e de já não colaborar no clube, é alguém com uma capacidade ímpar no país a nível de captação e desenvolvimento de jovens talentos.
O clube tem sido dirigido nos últimos 2/3 anos por António Santos e João Andias que tem feito um trabalho meritório que tem permitido que o Galitos já não seja apenas um clube de formação mas sim um clube completo tendo formação e competição de excelência.

 

   

http://www.axaveiro.pt.vu/

http://www.galitos.pt/noticias.aspx?seccao=14&menu=460

  1. Vais ser candidato á Presidência da FPX? O que te leva a tomar essa decisão?

Sim, irei ser candidato a Presidente da FPX. Não é segredo para ninguém. O momento em que se encontra a FPX e a visão e ambição que tenho para o xadrez obriga-me a agir.

  1. Quais as 3 Medidas que não queres deixar de implementar durante o próximo mandato?

Ainda existe uma eleição pela frente! A pergunta não esta bem construída. Mas uma coisa é certa, sou um candidato com ideias e metas, com projectos e motivação para dar um novo rumo ao xadrez. E entendendo onde quer chegar e em linhas gerais, posso adiantar algumas:
1)    A Federação deverá no futuro ser, acima de tudo, um facilitador ao Xadrez nacional. Deverá ser capaz de criar condições para que nas associações e nos clubes todos consigam trabalhar em prol do xadrez.
2)    Deverá ser criado um Projecto de Desenvolvimento e Crescimento do Xadrez em Portugal com objectivos bem definidos e de modo a que se consiga levar a todos a nossa modalidade. O Luís Santos teve a amabilidade de me fazer chegar um Plano que tinha desenvolvido e que tem muitos aspectos positivos. Do mesmo modo João Calix fez-me chegar uma visão muito acertiva da introdução do Xadrez com ferramenta educativa em ambiente escolar. Deveremos procurar a ajuda de todos para atingir o fim pretendido.
3)     A médio prazo deveremos ser capazes de em Portugal ter um circuito de torneios consolidado. Mais, temos de ser capazes de criar mais competição, distrital e nacional. Para isto deve ser a Federação capaz de desalavancar torneios contribuindo para o bolo total de prémios.

  1. Que Balanço fazes do trabalho realizado pelo Eng.º Jorge Antão na FPX?

Se me permitir não irei fazer uma análise global do mandato do Jorge Antão como Presidente. Existem aspectos positivos que devemos valorizar e aspectos menos conseguidos que devemos analisar e evita-los no futuro.
Nos aspectos positivos deve-se realçar o excelente trabalho realizado pelo Paulo Rocha para a FPX na parte informática que permitiu que neste momento o processo de filiações, inscrições em provas, etc. seja algo mais acessível e funcional que no passado.
Nos aspectos menos conseguidos, entre vários, queria destacar, a conflitualidade entre os órgãos sociais e os demais agentes do xadrez. Este tipo de conflito em nada ajuda a que o xadrez evolua para os patamares que assim desejamos.
Outro aspecto que pretendia realçar tem sido o notável desnorte que houve em alguns momentos competitivos e provas internacionais nestes dois últimos anos. Repare, o nacional de equipas teve o seu início adiado nos dois últimos anos tal como o torneio de mestres. Os regulamentos são tornados públicos muito próximo do começo das provas. A Federação deveria ser mais ambiciosa neste tópico.
A nível de representações internacionais a aposta tem sido apenas ao nível dos jovens e praticamente sem critérios de selecção. Repare a última, ficamos a saber via Record Online que os campeões nacionais de jovens vão ao Campeonato da Europa. A Federação tem de saber usar os meios de informação adequados para não cair em descrédito. Além de que tem de existir um plano cabimentado e consistente para as participações internacionais, onde todos os agentes estejam conscientes das exigências e do rumo que deveremos seguir.
Finalizo dizendo mais uma vez que devemos ser mais exigentes e ambiciosos com a Federação Portuguesa de Xadrez.

    

  1. Qual foi o teu posicionamento em relação ao extinto artigo 36º?

Sou contra qualquer medida que impeça a participação de equipas por não terem jovens. Porém… se houvesse um tipo de descriminação positiva a quem tem formação penso que seria benéfico para o xadrez a médio/longo prazo.

  1. Aqui pela 3ª Divisão … e também pela 2ª, considera-se que o campeonato é muito curto no tempo, e os fins-de-semana sobrecarregados ao sábado e domingo não são propriamente bons ao nível familiar nem favorecem a qualidade do xadrez após longas deslocações …(ps: o argumento de falta de datas não pega!), prevês algumas mexidas nos nacionais?

A fase de apuramento primeira divisão que eu estou a jogar também é neste modelo. Jogar Sábado e Domingo em formato casa/fora é prejudicial para o Xadrez. Se no passado havia calendário não vejo razão para o não haver agora. Quanto aos modelos competitivos sou da opinião que todas as medidas que alterem modelos competitivos devem ser bem discutidas e debatidas com agentes. Ajustar modelos ao sabor dos ventos deixa-nos a todos desorientados, além de não haver um modelo que seja efectivamente testado e que funcione com o passar dos anos. Não podemos alterar a cada momento, devemos sim criar um modelo sólido, consistente, justo e que promova o crescimento e o desenvolvimento.

  1.   Não gerou muita indignação a nossa ausência do Europeu de selecções … também foi pacífico para ti?

É uma questão pertinente a que me faz e não pode ser analisada de um modo superficial.
Devia Portugal estar sempre representado nas provas oficiais Internacionais? Sim deveria e devem todos os agentes do xadrez lutar por isso. Mas… Quem toma decisões tem de ter em conta todas as variáveis. Os Campeonatos Europeus têm custos de logísticas bastante superiores aos de uma Olimpíada e como tal tudo tem de ser equacionado.
É óbvio que a FPX deveria ter um plano para ir a esta prova. A prova realiza-se de 2 em 2 anos e não se pode olhar para o custo a poucos meses da prova. Estamos em períodos complicados, onde o rigor financeiro é muito importante, mas parece-me que poderemos fazer mais e melhor, com mais planeamento e sensibilização, de forma a usar da melhor forma possível os recursos existentes e em captar novos recursos para fazer o trabalho que é delegado por nós pelo povo português, o de representar, fomentar e desenvolver o Xadrez em Portugal.
É necessário uma politíca a médio/longo prazo para as representações internacionais com objectivos a atingir. Sem saber para onde queremos caminhar nunca lá chegaremos.

   

  1. No teu curriculum tens muitos títulos, vitórias em torneios … mas falta-te um pódio no Torneio João Duarte dos Santos, o que modéstia á parte equivale a uma norma de GM J … Qual a tua opinião sobre o formato do Torneio João Duarte dos Santos?

Concordo! Um dia certamente atingirei esse objectivo J
Muito interessante, é de saudar os organizadores pela realização desta prova. Infelizmente, actualmente não existe a quantidade de provas que um pais com o tamanho do nosso deveria ter.

  1. Já sabemos que és um leitor assíduo do nosso site, o que gostas mais e menos, e o que ainda faz falta?

Gosto do Zé Bomba embora penso que esteja afastado!
Falta-vos um sistema de RSS (Really Simple Syndication). Iria facilitar a minha vida.

A ousadia de tratar Francisco Castro por “tu” tem a sua permissão e faz parte do que se quer no Xadrez, mais amizade e menos formalismos, não pretendendo faltar ao respeito a ninguém. Não nos cabe a nós fazermos juízos de valor, esses ficam para os nosso nossos leitores, apenas demonstrar o quanto estamos gratos por nos ter concedido esta entrevista, e fazermos votos de que consiga ter a força, a coragem e o saber necessários para levar o xadrez ao pedestal que merece estar! Obrigado.
Até para o mês que vem, com mais um convidado(a)!

 

    

“O Torneio João Santos vai ter fila para entrar!”

José Cavadas – Presidente da A. X. Leiria

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Sexta entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi entrevistar o “Homem Forte” do distrito, o incansável Cavadas! É para nós uma sorte viver na mesma época e podermos usufruir de tudo aquilo que directa e indirectamente nos proporciona através da sua paixão pela modalidade.
Dirigente, Formador, Treinador, Árbitro, Jogador, pretende revitalizar o circuito de clássicas no distrito, fala-nos com orgulho do seu filho, e é um dos já muitos adeptos, de um presidente profissional para a FPX, fiquem agora a conhecer um pouco melhor o Sr. Xadrez do Distrito. ============================================================

1. Apresenta-nos a tua vida actual e o teu historial no xadrez … (se é que a nossa página consegue comportar o teu curriculum :) )

José Cavadas aprendeu xadrez com 9 anos de idade, com 15 anos ajudou a formar uma secção de Xadrez na Sociedade Columbófila de Cantanhede. Começou cedo a ensinar nas Escolas e a organizar torneios. Em 1993, funda juntamente com outros professores e alunos o Núcleo Xadrez da Benedita e Organiza o I Torneio Externato Cooperativo da Benedita. Em 1995 - Integra os Corpos Directivos da Associação Xadrez de Leiria.
Desde 1995/96 é Coordenador do Centro de Formação Desportiva de Xadrez da Benedita, o 1º do País, reconhecido pelo Ministério da Educação nesta modalidade.
Em 2000 passou pela F.P.X., ocupando o lugar de Secretário da Federação.
É Coordenador Nacional de Xadrez – Desporto Escolar – Ministério da Educação desde Novembro 2009, em 2000 a Confederação do Desporto atribui-lhe o título de “Personalidade do Ano na Modalidade do Xadrez”, sob proposta da FPX, salientando o Dirigismo Desportivo e o trabalho junto dos jovens, na cerimónia esteve presente o Ministro do Desporto – Eng. José Sócrates.

Actualmente estou em duas vertentes no xadrez, Escolar e Federado. No Escolar sou coordenador nacional de Xadrez e Responsável pelo Xadrez no Desporto Escolar na zona Oeste, que está integrada na Direcção Regional Vale do Tejo. Sou responsável pelo Grupo Equipa do Externato Cooperativo da Benedita (onde este anos temos alunos do Externato, Eb1 Ribafria, Eb1 Ardido; Eb1 Carvalhal de Turquel e Centro Escolar da Benedita no âmbito do Xadrez Escolar. Sou “Presidente” da Associação Desportiva Escolar do Xadrez do Oeste (http://adexoeste.blogspot.com), onde estão inseridas várias Escolas.

Sou Formador de professores, e a nível federado sou actualmente o Presidente da Associação Xadrez de Leiria, e Presidente da Associação Peão Cavalgante. A Academia X Benedita passou a ser uma secção de xadrez do Peão Cavalgante, daí a nova designação – Academia Xadrez Benedita/Associação Peão Cavalgante.

   

2. Apresenta-nos a Academia de Xadrez da Benedita, o clube, os seus projectos, as suas gentes…

A Academia aparece em 2005, através de um processo natural, e tem um projecto de apoio a todos os jovens e menos jovens que querem evoluir no Xadrez. Temos um blog http://axbenedita.blogspot.com.
Actualmente tem treinos às 3ª, 4ª, 5ª e 6ª Feiras das 18 às 20,30 horas. Temos até ao momento, 36 jogadores sendo, 33 federados e 3 não federados, desde os 7 anos aos 52 anos.
O Clube adquiriu a certificação – Clube formador da Federação Portuguesa de Xadrez – Grau 2, só cinco a nível nacional têm este Grau de certificação.

Temos vários projectos em carteira:

  • Apoiar todas as colectividades, câmaras e outras entidades na divulgação da modalidade.
  • Actividades de Rua de divulgação (Praias; lugares públicos etc.)
  • Criar Escolas de Xadrez Peão Cavalgante em várias localidades.
  • Realização de torneios em vários ritmos, desde o semi-rápido ao clássico. Sobretudo neste último (torneios FIDE).
  • Estágio da Academia Xadrez Benedita
  • Workshops
  • Formação
  • Divulgar xadrez nas escolas – captação de jovens para a competição.
  • Treinos para seniores.

   

3. A chegada e a evolução do Francisco no xadrez deu-te uma nova motivação? Como tens vivido a carreira do teu filhote?

Ter um filho que nos acompanha é factor motivador claro. A carreira do Francisco começou muito cedo, com três anos teve a iniciação ao xadrez, com 5 anos entrou nos campeonatos escolares e depois nos Campeonatos Federados onde nos Sub08 foi Campeão Nacional de Semi-rápidas no Barreiro. Mas todos os outros jovens, que estão e já passaram por mim, que querem evoluir, e que têm sede/fome de xadrez é factor motivador.

4. Qual foi a melhor herança que a anterior direcção da AXL te deixou? E quais são os principais objectivos desta nova direcção?

A melhor herança é o prestígio que a Associação de Xadrez de Leiria tem. O anterior Presidente, Carlos Oliveira Dias, deixou uma excelente marca.

  • Levar o xadrez a todo o distrito.
  • Revitalizar o Circuito clássico de Leiria – FIDE
  • Formação de novos clubes
  • Fazer a ponte entre o Xadrez Federado e Escolar. 

5. No Distrito, o Nacional de Semi-Rápidas por equipas (Marinha Grande), o Torneio da Cela (Abertura da época desportiva), e o Torneio João Duarte dos Santos são os que tem mais visibilidade?

Para além destes há outros que têm boa visibilidade: O Torneio do vinho integrado no Festival do Vinho no Bombarral, organizado pela Academia de Xadrez do Bombarral. O Festival da Feira Medieval de Aljubarrota organizado pela Academia Xadrez Benedita e Câmara Municipal de Alcobaça, o Torneio do Externato Cooperativo da Benedita, e o FIDE da ECBenedita.

   

6. Quem vota pela AX Leiria para as próximas eleições? Os clubes, o presidente? … Fala-nos um bocadinho deste processo

Nas próximas eleições todos votam. Os jogadores, árbitros e treinadores. Os jogadores/árbitros/treinadores do distrito de Leiria irão votar em Coimbra, nas Piscinas Municipais.

7. Que opinião tens do site da CPB, o que mais gostas e o que mais te desagrada?

O site da Casa Povo Bombarral é muito bom. O que gosto mais é a sua actualidade.
O que mais me desagrada é por vezes nas crónicas do Zé Bomba, o denegrir (mesmo que seja a brincar) de pessoas. Cada um tem o seu feitio e há que haver respeito pela individualidade de cada um.

8. Como apresentarias o Torneio João Santos a quem nunca participou?

É um torneio que vai ter fila para entrar, já que é limitado a 16 jogadores. Todos os convidados são muito bem tratados.
Por isso está à espera de quê para dizer que quer participar!!

9. O Xadrez a nível nacional, está a decair, está estável ou em progressão?

Está em progressão muito lenta. Repare-se que os jogadores de TOP Nacional são os mesmos desde há quanto tempo?
Têm aparecido jovens com algum talento, mas chegam à Faculdade e deixam o xadrez. Porquê? Todos nós devíamos reflectir sobre isto!

10. Uma curta frase ou uma palavra para casa uma destas 10 imagens

     

 

      

Academia de Xadrez da Benedita – um sonho realizado!
Agrupamento Nery Capucho – Desporto Escolar e Federado têm de estar ligados!
Clube Xeque-Mate de S. M. Porto – Criei as condições para a sua formação!
S. O. Marinhense – Clube prestígio!
Menina – Não sei quem é!
Tabuleiro – Xadrez não dá dinheiro, mas alegrias!
Academia de Xadrez do Bombarral – Carlos Baptista!
Associação Tabuleiro de Cores – Juventude!
Casa do Povo do Bombarral – Clube de Amigos!
AF Vinhos – Clube a manter!

axleiria@gmail.com                        http://josecavadas.blogspot.com

Mais do que agradecer a entrevista, era uma obrigação da nossa parte darmos a conhecer ao mundo do xadrez alguém que merece uma estátua por tudo o que fez, faz e fará pela modalidade, o nosso muito obrigado! Até para o mês que vem com mais uma entrevista.

 

 

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É um deserto de oportunidades para progredir

Catarina Leite – Campeã Nacional Feminina

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Quinta entrevista, hoje excepcionalmente a rubrica dez perguntas tem 15 … que melhor elogio poderemos fazer á actual campeã nacional? Uma entrevista repleta de interesse, onde “casca” na Federação Portuguesa de Xadrez e no sistema que está implementado, onde se revela algo desgostosa com as oportunidades que a modalidade não lhe dá, e afirma que é necessário restabelecer prioridades… uma entrevista repleta de interesse, onde não conseguimos “cortar”, esperemos que gostem tanto quando nós gostámos!
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1- Como é que o xadrez apareceu na tua vida? Como defines a modalidade, há quem diga que é um amor para toda a vida …

O xadrez apareceu na minha vida aos 8 anos. Os meus irmãos, Fernando e Frederico, aprenderam a jogar na escola, com o Plano de Desenvolvimento de Xadrez de Loures, e começaram a jogar em casa. Como eram mais velhos, não me davam muitas hipóteses de jogar, mas eu gostava de os ver e foi assim que fui aprendendo. Nesse ano, realizaram-se os Campeonatos Nacionais de Jovens na Escola Secundária de Odivelas e os meus irmãos foram participar, o meu pai insistiu para que eles me levassem também e assim foi. Já que ia jogar, o meu irmão Fernando ensinou-me as coisas mais básicas, como defender do Xeque-Mate Pastor, mas foi engraçado, que me lembro de ele me avisar para não tentar dar, pois se os meus adversários soubessem defender, a minha Dama poderia correr muitos perigos. J
Foi o meu primeiro torneio e foi logo um campeonato nacional. Consegui obter o 4 lugar absoluto e o 1º feminino.
Apaixonei-me pelo jogo, mesmo antes de competir... Quem gosta do jogo, gosta sempre. A questão da competição é que pode ir-se perdendo, pois a vida traz-nos outras prioridades.

2- O Recente Match de desempate entre ti e a Maria Inês Oliveira em semi rápidas pareceu-nos desprestigiante para o xadrez feminino, afinal de contas disputava-se o título de clássicas … o critério foi diferente para Paulo Dias e José Padeiro, dá-nos a tua opinião sobre este tema.

O Match foi desprestigiante para a modalidade, para os dirigentes da Federação Portuguesa de Xadrez (FPX), para o xadrez feminino e principalmente para as jogadoras em questão. Penso que o valor que dão ao Campeonato Feminino é suficiente para o abolirem do calendário. Se a FPX é a primeira a desvalorizar provas que organiza, como pode esperar que a comunidade xadrezistica as respeite?!

3- A Selecção Nacional Feminina não esteve presente no recente Europeu, como analisas esta situação?

Penso que a política que as consecutivas direcções da FPX tem seguido, necessita ser repensada. Não conheço outra modalidade onde as Selecções que deveriam representar o país ao mais alto nível não têm qualquer tipo de apoio, nem para jogar as provas mais emblemáticas do xadrez mundial (Campeonato da Europa de Selecções e a Olimpíada), nem para apoio técnico. É um deserto de oportunidades para progredir e ser-se profissional de xadrez em Portugal. No entanto, a FPX continua a gastar milhares de euros com jovens, todos os anos, em que muitos deles têm falta de qualidade técnica, mas que ganham direitos de participação em provas internacionais pagas pela FPX.
Há 20 anos que vejo as coisas serem feitas da mesma forma e há 20 anos que vejo os mesmos resultados.
De que vale para a modalidade gastarem-se milhares de euros, todos os anos, em “jovens promessas”, se quando chegam a uma altura da vida em que têm de decidir o que querem fazer no seu futuro profissional, o xadrez não é opção, porque a estrutura de apoio que está montada acaba aos 18/20 anos?!
Não faria mais sentido haver um apoio continuado às Selecções (Absoluta e Feminina), criando uma estrutura profissionalizante para os jogadores, dando assim hipótese àqueles jovens que ambicionam ser jogadores profissionais de xadrez e que aos 18 anos têm a frustação de ter de escolher outra profissão?!
As diversas direcções que têm passado pela FPX até podem, em momentos pontuais, dizer que ganharam uma medalha de uns quaiquer campeonatos (em que a participação de muitos países europeus não é feita pelos seus melhores jogadores, o que desvaloriza a prova!), mas na realidade para a modalidade trazem muito pouco.
Onde estão os jovens (agora adultos) em que foram gastos milhares de euros nos últimos anos?
A Selecção Absoluta continua a ser composta quase sempre pelos mesmo jogadores, na Selecção Feminina as jogadoras que vão mudando é mais pelo abandono da modalidade do que pela evolução das que aparecem.
Pensar numa mudança de rumo na modalidade, passa por restabelecer prioridades.

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4- Dá-nos a tua opinião sobre a Margarida Coimbra enquanto pessoa e jogadora

A minha relação com a Margarida é muito boa! Somos da mesma idade e passamos a vida toda a jogar, uma contra a outra e juntas pelas Selecção.
A nossa rivalidade fica dentro do tabuleiro, fora dele somos amigas e damos o nosso contributo para melhorar o xadrez feminino em Portugal!
Penso que a Margarida poderia já ter atingido o título de Mestre Internacional Feminina, se tivesse o devido apoio da Federação. O que ela tem conseguido tem sido através de investimento pessoal. Acredito que ela vai chegar a esse patamar rapidamente.

5- Como celebras-te esta vitória após 5 anos de jejum? Temias não mais conseguir revalidar o título?

O meu entusiasmo em relação ao xadrez está em baixo, por isso não senti esta vitória como gostaria de a ter sentido. É sempre bom ganhar, mas também sei que este título converte-se em muito pouco no xadrez nacional.

6- Com este 9º Titulo, ficas a um de Isabel Pereira dos Santos, é um dos teus grandes objectivos ser a mais campeã de sempre no xadrez português?

Esse não é um objectivo, será uma consequência se continuar a competir e a evoluir.
untitled.bmp  imagesCAGIIH4O.jpg  602.jpg    Catarina_Leite-site.jpg

7- Estives-te nervosa no recente match Paulo Dias x José Padeiro? Quem chega a GM O Paulo Dias, a Catarina Leite ou ambos?

Num match há sempre muita tensão, mas acreditava que o Paulo iria ser o vencedor. Ele é tecnicamente mais forte e experiente neste tipo de competições e isso acaba por se revelar no decorrer do match.
Acho que o que se dedicar a atingir o objectivo de GM, no meu caso WGM, será primeiro que o outro.

8- Como está o espírito de equipa da Mata de Benfica? Divertem-se juntos, apenas jogam?
O ano passado jogamos em vossa casa para a Taça de Portugal (1-3) o que te pareceu a equipa da Casa do Povo do Bombarral?

O espírito da equipa da Mata de Benfica é muito bom, somos amigos há muitos anos. Damo-nos muito bem, apoiamo-nos e isso é importante durante as competições.
O jogo contra a equipa da Casa do Povo do Bombarral correu muito bem, não só pelo resultado a nosso favor J, mas porque foi jogado num ambiente calmo, em que no fim houve partilha, ficamos todos à volta do tabuleiro a analisar. Isso foi possível por estarmos todos na mesma onda. O xadrez é mais rico assim, não só com o que retiramos dos jogos, mas também com o que retiramos das análises e do convívio.

9- Quais são os objectivos da Equipa da Mata de Benfica para a corrente época?

A equipa principal da Mata de Benfica é Campeã Distrital de Semi-rápidas; ficou em 6º lugar no Campeonato Nacional de Semi-rápidas; está na Taça de Portugal, onde pretende chegar o mais longe possível e na 1ª Divisão pretende assegurar a manutenção.
O mais importante é manter os seus jogadores motivados e disponíveis.

10- 3 Grandes metas para a tua vida e outras para o teu xadrez?

Empreender em vez de emigrar; continuar a estudar; recuperar a motivação para o xadrez; mudar o reportório; jogar mais torneios fortes e ser feliz!

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11- Estiveste com “um pé” no 2º Torneio João Duarte dos Santos, que opinião tens sobre este torneio? Vens para o ano?

Penso que é uma iniciativa de louvar. É um torneio muito intenso, muitos jogos em 2 dias. Um jogador tem de estar bem preparado para jogar um torneio assim, não só em termos xadrezisticos, mas também fisicamente.
No entanto, vou tentar jogar no próximo ano pela experiência e pelo convívio.

12- Dá-nos a tua opinião sobre o nosso site, és frequentadora habitual?

Tenho cada vez menos o costume de consultar os sites ligados ao xadrez nacional, até porque há cada vez menos provas, no entanto reconheço que o vosso denota empenho e interesse pelo xadrez federado.
Promovem a vossa equipa e as provas em que participam, mas também procuram estar actualizados em relação ao que de melhor acontece no xadrez nacional e mundial.
Penso que o rejuvenescimento da equipa da Casa do Povo de Bombarral, veio dar-lhe uma lufada de ar fresco e assegurar um bom nível à sua continuidade.

13- O Xadrez tem como maior handicap não ser uma modalidade televisiva, ter a fama de ser um desporto chato para pensadores, não ter dirigentes á altura?

O xadrez é televisivo, o Mestre FIDE João Cordovil comentava as partidas do Match para o Campeonato do Mundo entre Fischer e Spassky, na televisão, em 1972 e continuou a falar sobre xadrez nessa mesma década; a promoção que é feita do xadrez tem de ser planeada para desmistificar a ideia que algumas pessoas têm em relação ao xadrez, que é um jogo parado onde não acontece nada, é prática comum rejeitar o que não se conhece; infelizmente é notório que os dirigentes não têm estado à altura, mas poucos são os jogadores que se manifestam nesse sentido. O meio é pequeno e há muita promiscuidade nos cargos e nas relações que se estabelecem. Assim é complicado haver processos transparentes, ainda mais quando as pessoas se escondem atrás do lugar que ocupam, que é institucional e não tem nome. A responsabilização das pessoas pela má gestão de organismos públicos ainda não se pratica em Portugal.

14- Comentários / pensamentos / palavras … para cada uma destas imagens

Nova e forte geração! Dark! Referência incontornável!
Restart! Passo! Galego, o único jogador profissional Português!
 
Patamar atingido, mas o reconhecimento está no trabalho. Descanso!  

15- Que pergunta gostarias que te fizessem que ainda não fizeram? … e já agora a resposta!

Pergunta: Gostarias de representar o Sport Lisboa e Benfica (SLB), na modalidade de Xadrez?
Resposta: Sim!

Aproveitamos para agradecer a disponibilidade demonstrada … aqui pelo Bombarral, sem qualquer desprimor pelos anteriores convidados (até porque nós os entrevistadores somos muito fraquitos), comenta-se que esta é a melhor entrevista de todas …, ficamos á espera da tua visita! Obrigado.

 

 

    

Senti a necessidade de ter alguma atividade na vida

Amadeu Solha Santos – Dirigente, Árbitro, Jogador

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Quarta entrevista, desta vez a rubrica “dez perguntas” foi entrevistar uma pessoa que vale muito mais do que aquilo a que vulgarmente chamamos de Elo, vale pela qualidade humana, vale por permitir que muitos de vós possam explanar a vossa qualidade, no fundo é uma daquelas pessoas a quem podemos chamar em Portugal de Sr. Xadrez!
Aquele que é usualmente referido como “um gajo porreiro”, confessa que após mais de 40 anos, não consegue abandonar algo que ainda lhe faz falta!

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1 - Como entrou o xadrez na sua vida? 

Talvez ainda não tivesse 15 anos, o meu pai ganhou um torneio de III Categorias no Belenenses, e eu pedi-lhe para me ensinar, ao que ele apenas me deu um folheto com o movimento das peças e eu joguei com a malta lá da rua olhando para o folheto uma vez cada um. Grandes jogos.

2 - Quais os três momentos mais especiais vividos no xadrez? 

Quando ganhei um campeonato de Lisboa de III Categorias (com António Fernandes de 10 anos e campeão do Benfica, e ainda Horácio Neto entre outros).
Quando ganhei um campeonato regional do Inatel.
E quando assumi a colaboração de recuperar o G. X. Alekhine que atravessava um período difícil e sem jogadores.

3 -  Decidiu afastar-se um pouco da organização do G. X. A., que rumo deve o seu clube tomar para os próximos 3 anos? …mas a verdade é que continuou a organizar torneios …

Embora diferente do rumo que tinha, creio estar num rumo certo.
De facto tenho organizado torneios quase a pedido de alguns jogadores que foram muito importantes no apoio aos que realizei, mas também porque senti a necessidade de ter alguma atividade na vida.

4 - Como se sentiu no Torneio João Duarte dos Santos? O que gostou mais e menos 

Senti-me muito bem pois havia muito convívio, que tanto prezo.
Gostei de ser convidado, a qualidade dos participantes foi demais para mim, gostei da oferta de 2 refeições, bonito mas faltou uma. Os Troféus foram de grande beleza e qualidade.

  

5 - Qual a sua opinião sobre o estado actual do xadrez em Portugal e sobre esta presidência?

Acho que trabalhou muito, na organização bem, mas na competição nem tanto. Há que manter a estrutura e melhorar a competição

6 - O que lhe falta fazer no xadrez que ainda não fez? 

Aprender e participar mais.

7 - Também é Árbitro, como estamos nesta matéria em Portugal? Deveria ser obrigatório cada clube ter um árbitro federado? 

Essa obrigatoriedade trará problemas na criação de clubes, aparecimento de mais jogadores, logo no fomento da modalidade e talvez da própria arbitragem, pelo que penso que deve ser incumbência da Federação ou das
Associações.

  

8 - O Excesso de estrangeiros na 1ª divisão proporcionam a obtenção de normas para os portugueses, proporcionando um torneio de elevada qualidade, mas também ofuscam a participação das jovens esperanças nacionais, compensa? 

É um pau de dois bicos, no entanto acho que deveria haver outros torneios para esse fim, pois não tem sido assim tão compensador em normas nacionais comparadas com as estrangeiras, defendo no entanto que deviam ser limitadas.

9 - Concorda com a moção de Censura ao Presidente da FPX que irá ser votada na próxima Assembleia-geral da FPX? 

Concordo, para se tentar esclarecer porque há tanta gente no xadrez de costas voltadas uns para os outros, logo de costas para o próprio xadrez (isto não significa nenhuma tendência no meu voto).

10 - Uma curta frase para casa uma destas 9 imagens  

      

1 - Algo que me corre no sangue;

2 - Como qualquer que muito trabalha, muito lhe deve o xadrez, mas nem em tudo concordo;

3- Credibilidade recuperada nos últimos tempos;

  

4 - É o que se escolheu, logo é o que temos;

5 - O alvo do xadrez;

6 - Um jogador de grande cultura geral;

     


7 - Uma secção como devia haver mais;

8 - Um senhor;

9 -  Só reparei no tabuleiro.

Queremos agradecer a disponibilidade demonstrada … mais uma vez! E dizermos que nos sentimos privilegiados por o conhecermos e por podermos conviver com tão ilustre personalidade. Fazemos votos para que a sua paixão pelo xadrez nunca esmoreça, ganhamos todos com isso! Até para o mês que vem com mais uma entrevista.

 

 

    

 “Não é obrigação nenhuma, é um gosto que tenho”

Miguel Barriga – http://casadoxadrez.blogspot.com/

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A rubrica “dez perguntas” desta vez foi conhecer um pouco melhor Miguel Barriga (1919 – Casa do Xadrez), um dos grandes responsáveis por um dos melhores sites/Blogs nacionais. É uma daquelas pessoas a quem provavelmente o xadrez nunca reconhecerá o seu mérito, mas que muito faz pela modalidade. Este convite para a entrevista é também obviamente o nosso reconhecimento e agradecimento pelo trabalho meritório com que nos brinda diariamente.
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1- Miguel, conta-nos como é que sentes, esta quase que obrigação de publicação diária de notícias para satisfazeres os teus leitores … continua a dar-te prazer, tens fases de saturação … conta-nos um pouco sobre os teus sentimentos.

Primeiro deixa-me esclarecer que não sou só eu que publico “coisas” no blog da Casa do Xadrez. Há cerca de 8 pessoas acreditadas para o fazer diretamente e mais uns quantos amigos que mandam notícias e factos de outras zonas e cidades, que faço questão de sempre que possa e com a brevidade que consigo, publicar os seus pedidos e emails.
Se quiseste dizer que sou eu que publico quase tudo, sim, sou eu que acabo por publicar quase tudo atualmente e faço a manutenção toda do blog.

Tento manter 1 post diário, por compromisso com quem nos segue, mais do que 1 post diário não consigo, não tenho tempo. É este “compromisso” que nos dá a visibilidade que temos.
Depois o Facebook ajuda também a divulgar amplamente. No blog temos pelo menos sempre 115 visitas diárias e mais de 140 consultas diárias! É obra, tratando-se de Portugal, do Xadrez amador que temos, e da falta de sites. Penso que é também sinal da qualidade que apresentamos.

Não é obrigação nenhuma, é um gosto que tenho, e continuarei a faze-lo enquanto me der gosto, … Mas por vezes o trabalho ou a vida familiar não deixam faze-lo todos os dias.
Quanto à preguiça.... dura uns instantes mas penso logo nos seguidores fiéis que o blog tem e acho que é uma obrigação enquanto esses números se mantiverem altos.
Claro que às vezes parece que estás só tu a levar aquilo “às costas” mais uma vez é como acontece em muitos Clubes. Mas penso nos outros e em quem nos segue e lá vou continuando...

2- O Blog parece-nos mais um site com vocação nacional do que um blog da casa do xadrez …

Não havendo muitas notícias do nosso Clube, porque não temos ido a muitos lados, temos de falar dos outros eventos. Falamos dos clubes e jogadores do Distrito, depois damos prioridade às notícias dos nossos elementos e amigos, e depois aquelas mais relevantes de caráter Nacional ou Internacional. Falamos de tudo um pouco, nem sempre sobre Xadrez.
Nós somos um Clube amador, sem dinheiro para Escolas, ou Academias ou parcerias, etc... Tudo isso para ser bem feito ocupa muito, muito tempo e é preciso muito dinheiro... e depois é preciso dar muita, muita “graxa ao cágados” (politicos da Câmara, IDP, etc...) com reuniões, etc...

Assim, não temos notícias próprias que ocupem todos os dias do blog, é impossível manter um blog diário só com notícias nossas.
Sempre que nos procuram para eventos, se não implicar grandes custos monetários para nós e tivermos disponibilidade, aceitamos sempre. Só me lembro de 1 ou outra vez que dissemos claramente, não. Mesmo assim, é uma semana ou um dia de evento... o que dá para 3, 4 ou 10 posts e pronto, … faltam os outros 350 dias do ano.

3- O Aparecimento de patrocinadores no site … conta-nos como surgiram, se são um sinal de pujança do blog e o reconhecimento do teu trabalho, no fundo conta-nos o que te vai na alma sobre este tema.

Mais uma vez: não é o meu trabalho. Foi o trabalho inicial do António Russo, ao qual depois eu me juntei e ao qual se juntaram depois mais elementos e alguns amigos, como já o disse.
Depois, lentamente, lá fomos tentando arranjar... Mas como são sempre os mesmos a trabalhar, é uma coisa que atualmente se aparecer aparece, senão esquece. Tem lá os contactos se estiverem interessados em colocar um anúncio.

Neste momento temos só o patrocínio da Agência Ribatejana de Seguros.
Não há crise... Não são nem nunca foram os patrocínios que nos fizeram mais ou menos felizes ou jogar mais ou menos vezes ou deixar de ir aqui ou ali jogar... graças a Deus. Como já tivemos oportunidade de dizer em alguns desses posts, nós gostamos tanto da jantarada (normalmente é sempre depois dos jogos que nos juntamos em clima de festa) como do jogo em si.
Os Patrocinadores ajudam na manutenção “física” do Clube.

(ps: A publicidade que aparece em alguns pc´s da La reddoute e outros não está autorizada pela casa do xadrez)

    

4- Contiveste-te muito no acompanhamento da gloriosa época do teu clube, rumo á 2ª divisão. Conta-nos com vives-te esta época.

Contive-me? Não, penso que não. Não havia mais nada para dizer, a bofetada de luva branca estava dada a quem a mereceu. Subirmos era a coisa mais natural... Era só jogarmos e divertimo-nos como sempre o fizemos. Já lá tínhamos estado muito e muitos anos e só descemos ilegalmente. Isto é que foi chocante e triste. Aliás éramos o Clube há mais tempo a vigorar na 2ª Divisão Nacional!... a maior parte dos nossos jogadores participaram muitos anos anteriormente na 1ª Divisão Nacional. 
Tudo isto gerou muita inveja, e aliado ao facto de não nos calar-mos perante incoerências e má gestão na organização das provas oficiais e preparação de novas épocas, com clubes estranhamente colocados onde não era suposto e ninguém esclarecia nada. As nossas perguntas criaram muito incómodo. Depois há aqueles que tendo, telhados de vidro, atiraram pedras aos telhados dos outros... Claro que não tardou muito tempo até as pedras lhes partirem o telhado... e eles terem que comer as pedras. Ou melhor, ficarem caladinhos e escondidinhos debaixo delas! Eh eh eh...
Quanto à nossa descida, sim, houve ai alguns que devem ter festejado, pena foi não terem tido um ataque cardíaco agora quando voltámos à 2º Divisão. Coitados... havemos sempre de voltar à 2ª Divisão Nacional. É a qualidade que temos... ao contrário de outros.

5- Que opinião tens sobre o panorama xadrezista nacional e a sua evolução?

Somos um País de amadores ao pé da Espanha ou Itália. É só dar uma espreitadela aos sites locais das Federações e seus eventos, é esmagadora a sua Organização.
Isto até já foi tema de conversa de alguns Mestres nacionais.

Tem vindo a público o “panorama”... Quem tem lá estado tem demonstrado muitas falhas de organização e conhecimento. Aparecem casos que parecem ser de favorecimentos que nunca são explicados. Há casos e provas de roubos descarados e tentativas de seus encobrimentos, etc...

As pessoas decentes não vão para lá porque não tem tempo para fazerem um bom trabalho, ou para não serem “queimados”, ou porque sabem que aquele barco está cheio de dívidas e problemas acumulados de anos e anos de vícios e má gestão. Não tem solução. É um pântano.

Quem vai gerir uma coisa assim é mesmo com a intenção de tentar desviar mais algum para o seu bolso... ou porque é ingénuo e pensa que vai fazer o milagre de mudar e transformar o pântano...
É a ideia que tenho.

6- Qual a tua opinião sobre essa “aliança” que anda no ar dos distritos de Santarém e de Leiria? Opinião sobre a ideia, vantagens, inconvenientes…

Não sou contra. Os “carolas” estão extintos e não há quem queira substitui-los. A A.X. Santarém está praticamente parada e ninguém quer ir para lá. Portanto, mais vale uma A.X. grande e com actividade do que duas com pouca expressão ou nenhuma. Não me preocupa para já essa ideia.
Posso estar a ser ingénuo...

 

7- Fala-nos um pouco sobre o teu clube e do grupo que o compõe, do espírito que vos norteia….

Já falei sobre isso tudo no blog... Gostamos tanto ou mais atualmente das jantarada como das partidas em si, após os jogos em casa e fora (dantes era só quando eram jogos fora, mas agora também já é nos jogos em casa). É um espírito de amizade e companheirismo. Fazemos questão de manter os jantares de sextas-feiras à noite, nem que seja para dizermos só umas parvoíces e irmos embora. Normalmente a “festa” continua na nossa sede em Alpiarça.

8- António Antunes, Luís Galego, António Fernandes … qual o melhor e qual o próximo GM nacional?

Não sei. Mas também querem chegar a GM para quê? Para serem GMs e o ELO derrapar, derrapar para 2400? Acho uma vergonha e um embaraço... Mais vale não ser GM assim.

9- Recomenda-nos um site, um livro, um filme, um jogador e um amigo

Site: www.slbenfica.pt
Livro: As pontes de Madison County
Filme: Star Trek ou Star Wars
Jogador: Manuel Martinho Lopes
Amigo: eles sabem quem são – poucos mas bons.

10- Quem levarias a dar uma voltinha e onde … as escolhas são: Judit Polgar, Stefanova, Margarida Coimbra ou com Kosteniuk?

Não levava nenhuma delas. Levava a minha esposa, ás ilhas Phi-Phi.

Queremos agradecer a disponibilidade demonstrada por este nosso amigo da blogosfera, com quem temos trocado ideias e material para publicação nos respetivos sites/blogs, e desejar para bem de todos nós, que continue com força e motivação para manter o brilhante trabalho que tem efetuado ao longo dos últimos anos. Até para o mês que vem!

 

    

“A C. P. Bombarral é o clube distrital mais dinâmico, espero criar uma grande relação de amizade com todos os jogadores”

André Pinto – Reforço da C. P. Bombarral

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Segunda entrevista da rubrica “dez perguntas”, e a primeira da nova época xadrezista 2011/2012. Por este facto “impunha-se” entrevistar a mais recente aquisição da principal equipa Bombarralense, André Pinto (1997 – Casa do Povo do Bombarral). Enquanto jogador decidiu ir experimentar novos ambientes e horizontes, é uma nova fase da sua vida aos 23 anos, que nos dá conta nas linhas que se seguem.
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1- Viva André, antes de mais deixa-nos dar-te as boas vindas, comecemos pela tua apresentação enquanto pessoa e jogador de xadrez, como te defines?

Boas! Bem…como pessoa, sou calmo, tranquilo, honesto e equilibrado. Tento ao máximo aproveitar cada momento que a vida me proporciona e cumprir todos os objectivos a que me proponho. Sou bastante determinado e competitivo, o que acaba por transparecer para o meu perfil como jogador de xadrez. A minha personalidade enquanto jogador de xadrez vai de encontro ao meu “eu”. No entanto sou aquele tipo de jogador que sempre que se senta sente um ligeiro nervosismo, mas quando o jogo começa vai ganhando mais confiança.

2- Como é que este “bichinho” do xadrez apareceu na tua vida?

O tal “bichinho” apareceu já tarde. Eu tinha uns 13 anos quando um amigo de família veio jantar a casa e trouxe um tabuleiro de xadrez, após o jantar ele ensinou-me a movimentação das peças e explicou-me algo sobre aquilo que era o xadrez. Desde esse primeiro contacto comecei a entusiasmar-me com o jogo e a procurar mais informação e malta para aprender comigo. Tive a sorte de encontrar na escola um grupo super porreiro e interessado. Praticamente todos os dias aprendíamos algo e jogávamos inúmeras partidas. Depois começaram os torneios, os bons resultados e por fim, a fundação do nosso próprio clube. Todas as épocas existiam objectivos e como estávamos sempre juntos na escola, a motivação e a evolução era grande.

3- Conta-nos um pouco de como decorreu o processo que levou á tua tomada de decisão de dizeres um “até logo” ao teu clube de sempre, do qual foste fundador, e decidires ingressar na equipa da Casa do Povo do Bombarral?

A decisão de ingressar na equipa da Casa do Povo do Bombarral foi difícil de tomar. Com o passar dos anos o grupo que se havia formado nos primeiros anos do clube foi-se desmembrando. Uns foram para o estrangeiro, outros para a faculdade (eu, por exemplo) e outros iniciaram a sua vida profissional. Aquele grupo que existia na escola deixou de existir e o Xeque-Mate de São Martinho do Porto era composto essencialmente pelos nossos alunos, que apesar de terem alguma qualidade enquanto jogadores de xadrez (como pessoas todos possuem muita qualidade) a motivação não existia ou aparecia a espaços, mas sempre com o meu contributo ou do José Lopes. Nos últimos 2 anos, já não sentia que o clube apresentasse objectivos e que a maior parte dos jogadores apenas queria mexer umas peças e jogar umas rápidas. Assim comecei a pensar em ir para um clube que tivesse objectivos, motivação e um espírito de grupo tão bom como o que existia no Xeque-Mate. Desta forma, surgiu a equipa da Casa do Povo do Bombarral como uma excelente hipótese.

     

4- Não deixa de ser duro explicar isso aos amigos de sempre, … como correram essas conversas e como geriste esses sentimentos?

Por incrível que pareça foi tudo absolutamente tranquilo. Os meus amigos compreenderam a situação e apoiaram-me. No entanto, não me safo de piadas e bocas deles, mas sempre tudo na brincadeira (Coisas do género: “Quando jogares contra nós é bom que chores”, “És o João Moutinho do xadrez”, “Sua maçã podre.” “Judas!”. Em relação aos meus sentimentos foram fáceis de gerir, porque apesar de sentir tristeza por abandonar o meu clube, a proximidade que eu tinha deles e a nossa amizade foi mantida e em alguns casos até mais consolidada. Por exemplo, o José Lopes tem sido um grande amigo e, actualmente, está muito motivado para evoluir o seu jogo, o que faz com que eu tenha ali um companheiro de estudo e sinta que indirectamente esteja a ajudar o Xeque-Mate.

5- É verdade que antes de te decidires juntar a nós já tinhas recebido convite(s) de outro(s) clube(s) do distrito? A tua decisão estava tomada certo? Se não fosse para o Bombarral teria sido para outra equipa … provavelmente para Lisboa …?

Fala-se de muita coisa e também aparecem muitos boatos, mas é verdade que algumas pessoas falaram comigo quando eu entrei para a faculdade, para eu ir para o seu clube. Mas apenas pensei seriamente em ingressar num clube de Lisboa, dado que estudava lá, contudo após iniciar a minha vida profissional optei por jogar na equipa da Casa do Povo do Bombarral. Fiz esta opção porque, na minha opinião, é o clube distrital mais dinâmico e que possui bons objectivos e bons jogadores. Isto tendo em consideração todos os outros clubes distritais, onde tenho bons amigos.

6- O que esperas encontrar na Casa do Povo do Bombarral ao nível de espírito de grupo, e quais são os teus objectivos para esta época a nível colectivo e individual?

Espero encontrar um grupo bastante unido, divertido e que não se junte apenas por causa do xadrez, e que faça grandes jantaradas para o “nosso” João Duarte dos Santos!
A nível individual o meu único objectivo e fazer o melhor que conseguir, se isso permitir vencer títulos e subir o ELO, melhor. A nível colectivo espero essencialmente criar uma grande relação de amizade com todos os jogadores e que sejamos um clube activo tanto a nível distrital como nacional. Títulos colectivos? Subida de divisão? Logo se vê. Vamos fazer o nosso melhor.

7- Qual a tua opinião sobre o nosso site? Costumas acompanhar? Com que regularidade? O que gostas mais, o que gostas menos, o que melhorarias, e a tua opinião genérica sobre o mesmo.

Sim, sou um visitante assíduo do site (quase todos os dias). Gosto bastante da estrutura do site e da forma como transmitem a informação, seja humoristicamente ou não. Gosto bastante da forma como expõe os torneios e da regularidade com que actualizam o site, e não apenas com conteúdo distrital, mas também nacional e internacional. Relativamente ao que gosto menos tenho apenas a referir a arte dos tabuleiros, que apesar de terem boas imagens não me puxa para ver. A nível de melhorias, acho que no site deveriam constar sites para quem gostasse de aprender/evoluir/estudar xadrez, quer com aberturas, táctica, finais, etc…

8- Para quem não assistiu, conta como foi o 1º Torneio João Duarte dos Santos, a nível geral e no teu caso em particular, e como perspectivas o segundo?

Pessoalmente gostei bastante do Torneio porque transmitiu-me a ideia de um grupo que se reunia para jogar umas partidas de bom nível e contar umas piadas, e não a de um torneio que atraiu jogadores apenas por ter prémios monetários e onde se joga e após o torneio cada um vai para o seu lado. Acho que estes torneios são importantes para a evolução do xadrez, para a criação de amizades entre jogadores e para a própria evolução de cada jogador, porque acho que neste tipo de torneios incentiva trocas de ideias e análises.
Relativamente ao 2º Torneio João Duarte dos Santos, espero que mantenha ou melhore os padrões do 1º (algo difícil visto este ter sido de grande qualidade), que me possibilite jogar contra jogadores fortes, e que todos se divirtam e evoluam como jogadores e como pessoas.

         

9- Quem gostarias de ver entrevistado, porquê, e qual a pergunta que queres ver respondida?

Carlos Oliveira Dias por ser um ícone do xadrez nacional e internacional e ser do nosso distrito. Achas que o xadrez distrital pode evoluir? Como?

10- Recomenda-nos um site, um livro, um filme, um local para férias.

Site – Não tenho nenhum específico.
Livro – “O Fim da Inocência.”
Filme – “A Origem”
Local para férias – Las Palmas nas Ilhas Canárias

Queremos desejar ao André uma excelente época desportiva, e que se a estadia for curta que leve boas lembranças e amigos do Bombarral, se for longa dará certamente muitas alegrias a todos os membros da equipa e em particular ao Sr. João Santos, tal como está a acontecer pela segunda época consecutiva em relação ao regressado Ricardo Evangelista e a Guilherme Gaboleiro que se adaptou muito bem ao clube. Muito Bem-vindo! … Até para o mês que vem com mais uma entrevista!

 

    

“Gostava muito de ir a uma olimpíada, seria sem dúvida um sonho concretizado”

José Padeiro – Mestre Fide

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Em dia de estreia, a rubrica “dez perguntas” conversou um pouco com José Padeiro (Mestre Fide 2301 – Moto Clube do Porto). A atravessar uma fase muito feliz na sua carreira desportiva, que coincidiu com o lançamento do seu primeiro livro, e que vai ter como um dos pontos mais altos a finalíssima do Campeonato Nacional Absoluto frente ao Mestre Internacional e campeão nacional em titulo Paulo Dias, a disputar de 21 a 24 de Outubro.
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1- Segundo lugar no torneio de mestres em Igualdade pontual com o primeiro, título de Mestre FIDE, Match para apuramento de Campeão Nacional Absoluto … conta-nos como estás a viver este super momento na tua carreira desportiva.

Antes de mais queria agradecer o convite para a entrevista. Acho sempre importante este tipo de iniciativas que nos levam a conhecer um pouco melhor o outro lado das pessoas.
 
Respondendo à pergunta, não acho que seja assim um momento tão super. Tenho que ser realista e convir que tanto no Torneio de Mestres como no Campeonato Nacional Absoluto faltavam grandes nomes do xadrez nacional e que por isso a minha tarefa à partida estaria sempre facilitada. De qualquer das maneiras não nego que fiquei contente com o meu desempenho no recente campeonato. Relativamente ao título de Mestre Fide foi somente o culminar de uma força de jogo que já tinha há algum tempo. Ou seja, não é por agora estar na casa dos 2300, que sou assim tão melhor do que quando estava na casa dos 2200. As vezes são pequenos pormenores que fazem a diferença.

2- Fala-nos um pouco do teu livro … de como surgiu a ideia, o que nos trás de novo, como tem corrido as vendas, as criticas, e como poderão os interessados entrar em contacto contigo

O livro foi uma ideia que tive á 2, 3 anos atrás. Pareceu-me claramente que faltavam e continuam a faltar livros em português, mais que não seja para que os jogadores portugueses ganhem um pouco de rotina de leitura. O formato não sendo de todo inovador, não deixa de ser interessante. A ideia base é através das resoluções dos exercícios explicar um pouco o que é o xadrez. A importância do cálculo, conceitos posicionais, etc., etc.
Infelizmente não tem sido um best-seller, embora não fosse nada que eu não esperasse. Acho que faltam ao jogador português hábitos de estudo, além que alguma ambição. Parece-me que um jogador mediano não acredita muito que possa chegar a um nível alto, e sendo assim, para quê comprar um livro de xadrez?
Todas as pessoas que estejam interessadas em adquirir o meu livro podem entrar em contacto através de josepadeiro2@hotmail.com.

3- Observando o teu gráfico de cotações na FIDE, com os altos e baixos normais, mas a tendência dominante é claramente a da subida, vamos a Mestre Internacional?

Como já referi anteriormente não é por ter agora 2300 que a evolução foi tão significativa, embora tenha noção que melhorei nos pequenos pormenores. Para chegar a Mestre Internacional tenho que melhorar em alguns aspectos, nomeadamente as aberturas. São sem dúvida o tema técnico a melhorar para poder aspirar a essa meta.

4- Como é o vosso confronto contra o GX Porto? É tipo um Sporting x Benfica? Recorda-nos um pouco das emoções vividas na meia-final da taça de Portugal em que lhes venceram por 2,5-1,5.

Espero que o GXP seja o Sporting (risos). Nunca pensei muito nisso. Para mim é um jogo normal como todos os outros. Foi mais um jogo, que neste caso valia uma presença na Final da Taça objectivo que eu pessoalmente nunca tinha atingido. Os meus colegas cumpriram com a sua obrigação fazendo 1,5 pontos deixando-me somente com a necessidade de empatar, o que foi bom porque estive sempre um pouco pior na partida. No fim correu tudo bem e conseguimos o objectivo, embora depois tenha sido de todo impossível bater o Vale de Cambra na Final.

5- És leitor habitual do nosso site? Dá-nos a tua opinião geral, e diz-nos o que melhorarias?

Tenho de ser sincero e admitir que não sou um leitor assíduo. Talvez agora seja mais regular nas visitas. Vou tentar, prometo!

6- Como defines o jogo de xadrez?

O xadrez é um pouco como a vida. Ás vezes estamos mal mas conseguimos-nos aguentar, ou vice-versa. Acho que o estilo de cada pessoa reflecte um pouco daquilo que somos no dia-a-dia. Avançando um pouco penso que todas as pessoas deveriam ser “obrigadas” a aprender um jogo de estratégia, fosse o xadrez ou outro qualquer.

7- O que é o Xadrez na tua vida?

É uma parte importante na minha vida. Claro que já não tenho o fascínio de quando comecei, mas acho que isso sucede um pouco com toda a gente. Não me vejo a deixar de jogar xadrez, embora às vezes perante o quadro competitivo deprimente que se nos apresenta vontade não falte. Mas é algo que está tão enraizado no meu ser que dificilmente ponderarei deixar de praticar esta nobre arte.

8- O Xadrez complementa o teu ordenado mensal, ou ajuda a gastá-lo?

Neste momento o xadrez é praticamente o meu salário, visto ser o que faço profissionalmente. É pena em Portugal não serem dadas condições que possibilitem cada vez existirem mais profissionais de xadrez. Ficaríamos todos a ganhar com isso!

9- Qual é o teu sonho no xadrez? Conseguir ser MI, GM? Ser campeão nacional? Representar a Seleção Nacional? Ou outro?

Gostava muito de ir a uma olimpíada representar o meu país. Seria sem dúvida um sonho concretizado. É o equivalente a um jogador ir ao mundial de futebol ou um atleta aos jogos olímpicos. Pensando mais alto talvez ser o jogador português com mais elo de todos os tempos, mas esse cenário está claramente distante.

    

 

10- Como perspectivas o Match frente ao Paulo Dias? Explica-nos um pouco, se não for segredo, do teu modo de preparar este Match tão importante e que será certamente observado por toda a comunidade xadrezista e não só?

Acho que quase todas as pessoas apostam que o vencedor será o meu adversário, e visto de fora parece-me bastante lógico. Tem mais de 100 pontos do que eu, é actualmente o número 3 do país, e além de ser o actual campeão nacional, tem um arsenal de experiência muito maior do que o meu. No entanto, no desporto tudo é possível, e quando começar o match, é necessário provar o favoritismo nas 64 casas. Resumindo, quando chegar a altura estarei certamente confiante na vitória.
Sinceramente ainda não pensei nisso. Vou-me concentrar nessa preparação nas 2 semanas anteriores ao evento.

Gostaria de agradecer a entrevista e desejar votos de continuação de bom trabalho.

José Padeiro

Queremos agradecer a disponibilidade demonstrada por José Padeiro, desejar-lhe uma carreira xadrezista sempre em crescendo, e ficamos na esperança de que tenham gostado. Até para o mês que vem!

 

 

    

“O meu recorde vai perdurar durante largos anos”

António Fernandes – Grande Mestre

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De regresso, a rubrica 10P na sua Décima Terceira entrevista foi visitar o homem do momento que acaba de ter uma prestação fantástica ao serviço da Selecção Nacional, foi a sua 16ª presença em Olimpíadas!

António Fernandes sagrou-se MI em 1985 e GM em 2002, algo raro para Portugal que dispõe apenas de 3 jogadores com este título. Sagrou-se campeão nacional pela primeira vez de quinze aos 17 anos. Licenciado em Matemática Aplicada e com percurso profissional ligado à banca, nunca se dedicou a 100% ao xadrez já que cedo se apercebeu de que não conseguiria sobreviver em Portugal á custa da modalidade que tão bem pratica.

Tem dois filhos que jogam xadrez, é Benfiquista e nasceu em Pampilhosa da Serra, localidade que segundo AF ofereceu as melhores condições de sempre para a realização de um campeonato nacional. Á pergunta quem seria a mais bela mulher do xadrez respondeu sem hesitar que é a sua esposa.

São algumas das curiosidades contidas na entrevista, agora publicada em dia de aniversário do GM, e por isso excedemos o limite 10P, esperamos que gostem!

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1 - Joaquim Durão foi um dos mais prestigiados jogadores nacionais de sempre, tendo sido campeão nacional por 13 vezes, o AF tem a consciência de que com a obtenção do seu 14º titulo ficará para a história como uma lenda do xadrez nacional? Sente que a FPX, clubes e outros não lhe dão o devido valor que merece por direito próprio?

Obviamente que é sem dúvida um feito histórico e para mim, que lutei por esse momento, foi a realização de uma das minhas metas.

Quanto ao valor, ao reconhecimento… temos que nos contentar com o país em que vivemos e com a nossa cultura. É certo que não podemos agradar a todos e quando conseguimos a realização, a conquista, de determinadas proezas, acabamos por provocar em algumas pessoas bons e maus sentimentos, uns de alegria outros de tristeza, de orgulho, de louvor, de apreço, de respeito ou de desprezo… Lamentavelmente, muitas vezes acontece, verificarmos que esse reconhecimento mais facilmente vem de fora, do estrangeiro!

Contrariamente à cultura a que estamos habituados, sou daqueles que defendem que as homenagens e o reconhecimento deve ser efectuado em vida e não post mortem, como tal sem dúvida que o Joaquim Durão, sendo uma referência do xadrez nacional e que ficará na história do nosso desporto, merecia ter tido essa homenagem.

Quanto a mim, o que importa é que as pessoas em quem confio e aquelas que me querem bem tenham esse reconhecimento para comigo e uma coisa é certa, disso tenho consciência, é que esse feito vai perdurar durante alguns anos.

2 - Desde 2013 data em representou o Sport Lisboa e Benfica que não se voltou a filiar por qualquer clube, nenhum projecto aliciante? Ninguém chegou aos valores que pretende? algum outro motivo? Quanto custará a uma equipa ter o GM António Fernandes para disputar uma primeira divisão?

Sim, sem dúvida que tem que haver algum projecto aliciante a nível da formação ou da competição. A nível competitivo defendo que para se representar um clube, seja ele qual for, o xadrezista tem que estar disponível para dar o seu melhor, muitas vezes penalizando-se a si próprio em prol da equipa e para isso deverá, certamente, haver alguma contrapartida.

Penso que custaria muito pouco, tendo em atenção o nível e qualidade de alguns dos participantes nessa prova. Tal como referi anteriormente, independentemente dos prejuízos individuais a que qualquer um venha a estar sujeito, os elementos da equipa têm a obrigação e o dever de dedicar todo o seu empenho, dedicação e disponibilidade em prol dos objectivos do colectivo. Infelizmente nem todos pensam assim e eu próprio já tive ocasião de testemunhar alguns elementos de bom nível e com uma boa cotação adoptarem uma postura diferente, esses sim considero que estão a custar muito caro à sua equipa.

3 - O ensino do xadrez é algo que lhe dá prazer? Prefere jovens ou adultos?

Sem dúvida que sim, prefiro apenas aqueles que têm vontade em aprender em evoluir e que têm objectivos por cumprir, independentemente da sua idade. Posso orgulhar-me de dizer que os alunos a quem dei formação, venceram ao longo de vários anos os nacionais dos seus escalões etários. Leccionei também num colégio particular com resultados muito positivos a nível competitivo.

4 - Fale-nos um pouco do que viu na Taça CUCA disputada em Angola

A Taça CUCA é já um torneio com algum prestígio internacional que tem por objectivo principal promover os jogadores angolanos. Para a realização desta prova, como é óbvio, é necessário reunirem-se determinadas condições, apoios, provenientes de patrocínios, de apoio da própria Federação Angolana de Xadrez ou mesmo de apoios estatais, uma vez que está em causa o convite de alguns xadrezistas titulados estrangeiros.

Em Angola esta é uma prova de referência para todos os xadrezistas angolanos e outras mais idênticas seriam necessárias para uma melhor e mais rápida evolução dos seus filiados. Este é, sem dúvida, um exemplo a seguir por qualquer federação desportiva que pretende promover e permitir a evolução dos seus atletas. Um exemplo que gostaria de ver também reflectido no nosso país.

5 - Por que ordem colocaria estes feitos:

  • Titulo de GM
  • Medalha de Bronze individual nas Olimpíadas de 1992 a segundo tabuleiro
  • o 14º titulo nacional que o colocou como o mais campeão de sempre

Existe algum outro feito ou momento que entraria diretamente no top 3?

Bem, é um pouco complicado ordenar tais feitos mas tendo por princípio a importância dos mesmos a nível mundial, colocaria os mesmos pela ordem seguinte:

- Medalha de Bronze individual nas Olimpíadas de 1992 a segundo tabuleiro
- Título de GM
- o 14º título nacional que o colocou como o mais campeão de sempre

Não sei se entraria no top 3, mas claro que não deixa de ser importante o facto de ter sido reconhecido pela FIDE, no congresso realizado em 1985 em Graz na Áustria, como uma das esperanças do xadrez mundial.

6 - Comenta-se que é um jogador de feitio muito difícil…

Aceito que haja alguém que assim pense, mas como é perfeitamente natural qualquer indivíduo, independentemente da sua actividade profissional ou desportiva, que faça sombra aos outros sempre será motivo de crítica para alguns.

Ao longo da minha carreira de xadrezista sempre pautei a minha actividade desportiva com honestidade, rectidão, isenção e lutando sempre pela verdade dos acontecimentos, muitas vezes defendendo outros pelo facto de ter testemunhado determinadas situações.

Também reconheço que numa ou noutra situação, por esses mesmos motivos, não tenha agido da forma mais correcta, chegando mesmo a exaltar-me ao ponto de levantar a voz. Mas ao longo de mais de 46 anos de prática desta modalidade, tenho observado a atitude de algumas pessoas que de tudo fazem, fora do contexto da ética desportiva, para tentar conquistar o ponto de forma ilícita, uma vez que de outra forma o não conseguiriam e isso quando acontece comigo sem dúvida que me tira do sério.

 

7 - Quais seriam os seus critérios para uma convocatória olímpica?

Nunca em caso algum estipular um limite de partidas sem qualquer significado, pois um xadrezista pode jogar 100 partidas ao longo de um ano e dessas apenas 4 têm algum nível ou um grau de dificuldade superior e outro jogar apenas 20 partidas e todas se enquadrem dentro desses parâmetros.

Do meu ponto de vista a convocatória deve ser efectuada com isenção, imparcialidade e a utilização de critérios unicamente desportivos bem definidos, tais como: campeão nacional, rating internacional e resultados obtidos.

8 - Vamos falar de um “Mandato Imaginário” em que AF era o presidente, quais as três medidas mais emblemáticas de que não prescindiria?

Além da isenção e honestidade, o dever de cumprir e fazer cumprir a ética e a verdade desportiva.

Valorizava a formação de base com conceitos fundamentados, criando uma estrutura piramidal que permitisse a evolução natural de qualquer elemento.

Valorizava condignamente a representatividade nacional nas provas mais importantes da FIDE.

Criava o conceito de provas válidas, as quais obrigatoriamente eram reconhecidas por reunirem as condições mínimas necessárias.

  

 

9 - Já vários jogadores da CPB defrontaram o seu pai, o Mestre Nacional Júlio Santos, e unanimemente consideram-no como provavelmente o jogador mais simpático do xadrez nacional, como é a vossa relação fora dos tabuleiros?

É óptima, como não seria de esperar outra coisa entre pai e filho.

A prática desta modalidade como já referi por diversas vezes em alguns colóquios é bastante benéfica ao ser humano e o meu pai é efectivamente um exemplo desses benefícios, por isso mesmo a ele lhe devo tudo o que sou hoje em dia, como ser humano e como desportista e praticante de uma modalidade de excepção

10 - Existe um “vírus” que afecta os MI nacionais que a certa altura da carreira descem aos 2350 (mais coisa menos coisa), foi assim com Dâmaso, foi assim consigo, esta a ser com Paulo Dias. António Frois por exemplo não mais regressou aos 2400. Consegue perceber o porquê desta situação?

Existem efectivamente duas situações que explicam essa situação:

- Acontece por vezes que um atleta durante a sua fase evolutiva ter esses períodos menos bons, os quais são sem dúvida um retrocesso temporário relacionados com uma melhoria significativa em termos de conhecimento, de adaptação e de compreensão do próprio jogo.

- Por outro lado, esse retrocesso poderá ter que ver com interferências externas como seja, problemas de saúde, familiares, profissionais ou mesmo desmotivação ou falta de confiança.

No meu caso particular a referida situação deveu-se à segunda hipótese, em relação aos demais elementos, cada um deles saberá certamente justificar o sucedido.

  

11 - Vê os 2545 de António Antunes serem batidos nos próximos 3 anos por algum jogador Português? Quem?

Considero que 2545 de rating é um elo algo modesto para a qualidade de vários dos melhores xadrezistas nacionais, sem mencionar qualquer nome, os quais estão subaproveitados e podem com alguma facilidade ultrapassar esses valores. A questão está mais uma vez nas condições e dedicação que qualquer um em determinado momento, independentemente de serem 2, 3 anos ou mais, possa assumir.

12 - Qual foi aquela que considerou a sua melhor partida de sempre?

Existem várias partidas que considero muito boas. Devo confessar que ainda não me dispus a seleccionar efectivamente a melhor de todas, no entanto posso facilmente referir que o lance que me deu mais prazer jogar em todas as partidas que já joguei ao longo da minha carreira foi contra o Viktor Korchnoi, numa partida disputada em 1989 em Haifa, Israel, durante o europeu de selecções. Foi o lance 26.  …  Bd3, sem dúvida o lance mais bonito que alguma vez realizei e com menos de 3 minutos no relógio, ficando na altura com pouquíssimos segundos, enquanto Korchnoi que tinha sensivelmente um pouco mais de 5 minutos após este lance, consumiu precisamente 5 minutos ficando com mais alguns segundos que eu, no entanto Korchnoi não encontrou a solução correcta e acabei por ficar com vantagem decisiva, mas infelizmente ao 31º lance a jogar “ao toque” por forma a evitar a queda da bandeira, não tive o discernimento suficiente para jogar o lance mais fácil e mais óbvio 31. … Td8 que ganhava facilmente a partida. Enfim acabei por empatar essa partida, mas a beleza desse lance e tendo em atenção o adversário que enfrentava ficou para mim gravado na minha memória.

 

13 - Que questão gostaria que lhe colocassem, e qual a resposta?

Penso que uma boa pergunta, mais dirigida à tutela, poderia ser a seguinte:

Como é que é possível que a selecção da Grécia que era à mais de 30 anos inferior à nossa, hoje em dia o nível da mesma é bastante superior, com vários valores individuais aos mais altos níveis do xadrez mundial?

Que condições as entidades oficiais da Grécia, ou de outros países como a Islândia… ofereceram aos xadrezistas desses países para eles se dedicarem a esta modalidade?

Sobre as extensas críticas à anterior direcção da FPX, da sua exclusão das Olimpíadas de 2014 e sobre 17 questões que o GM António Fernandes colocou à direcção e que não obteve resposta, publicaremos na próxima 6ª Feira.

Parabéns de toda a equipa CPB e muitas felicidades!

 

 

  

As Divergências entre António Fernandes e Francisco Castro

Pode falar-nos um pouco sobre a divergência AF/FPX sobre a sua não convocatória para as olimpíadas de 2014?

É uma longa história, essa que infelizmente tive de conviver obrigatoriamente com a Direcção da FPX anterior. Uma Direcção que, contrariamente à opinião de alguns elementos que usufruíram benefícios ou contrapartidas, de tudo fez para acabar com a nossa modalidade, chegando mesmo a utilizar meios ilícitos para algumas das decisões que entendiam tomar, utilizando a hipocrisia, total irresponsabilidade e pura demagogia ao longo de todo o seu mandato, prejudicando deliberadamente os direitos desportivos de alguns dos seus atletas. Convites em cima da mesa, sem qualquer custo associado, que recebiam para participação em provas internacionais de muito bom nível que ficaram por responder, vetando a participação em provas internacionais de vários dos melhores xadrezistas nacionais, tentativa de boicotar a participação em provas internacionais, elaboração de regulamentos com efeitos retroactivos, o não cumprimento dos próprios regulamentos por si elaborados, não cumprimento dos deveres de representatividade nacional que é exigido às federações desportivas, abdicando da participação nas provas mais importantes da FIDE, não cumprimento do plano e orçamento aprovado, desrespeito pela ética e a verdade desportiva, violação do Decreto Lei 248-B…

Aquando do meu afastamento de modo ilegal e sem qualquer justificação, por parte da Direcção da FPX, da selecção que participou nas olimpíadas de 2014, instaurei na altura uma providência cautelar e uma acção administrativa contra a Direcção da FPX. Mas, esse foi apenas um dos muitos episódios em que me vi envolvido com esses incompetentes.
Posso referir que nos últimos contactos que estabeleci com os elementos da Direcção da FPX, dando simultaneamente conhecimento a algumas individualidades, a várias entidades, entre elas a que tutela as federações desportivas, bem como alguns meios de comunicação social, tendo colocado 17 perguntas à respectiva Direcção, as quais nunca durante o seu mandato foram respondidas tal como é o dever e a obrigação de uma federação desportiva, passo a descrever:

1- Porque é que em 2012 tomaram medidas totalmente opostas em termos desportivos em um caso de doping detectado, quando comparativamente a uma outra situação idêntica ocorrida 4 anos antes?

2- No Plano de Atividades e Orçamento para 2013, proveniente da Assembleia Geral de 10/11/2012, resolveram colocar no ponto 4.2 Participação portuguesa, em Provas oficiais internacionais um novo "mandamento", "Os jogadores que se sagraram Campeões Nacionais (CN) não obtêm assim obrigatoriamente lugar na delegação"
Deste modo, além de se verificar o efeito de retroactividade, pela primeira vez em 87 anos de existência da FPX, a sua Direcção considerou, que o Campeão Nacional deixou de ter significado e o garante de representar Portugal no campeonato mundial. Porquê? A que propósito? Com que finalidade? Caso não saiba, o campeonato nacional é a primeira prova de apuramento do campeonato mundial, sempre assim foi, isso sim era um hábito, era uma opção, mas a sua Direcção quis alterar essa norma, não foi?

3- Porque é que em 2013, contrariamente à vossa justificação (de anos pares... ano de olimpíada e Europeu...), não havendo realização de qualquer olimpíada, porque não se quiseram fazer representar nesse ano ímpar, no Europeu Individual?

4- Porque é que tornaram público oficialmente através do vosso site de que eu dei faltas de comparência nos jogos de um suposto match a 3 jogadores para atribuição do título nacional de 2012, quando eu fui peremptório ao me recusar publicamente a participar nessa prova "fantoche" em virtude de não ter as mesmas condições de participação que os outros supostos adversários, de não ter mais dias de férias disponíveis entre Outubro e Dezembro de 2013 e porque tal como o afirmei então, nunca aceitaria participar numa prova cujos critérios de desempate estavam adulterados e viciados à partida?
Inclusivamente, como sabe e apesar de ter afirmado por diversas vezes que nunca iria participar nessa prova, a sua Direcção estabeleceu um prazo limite de inscrição na prova, pelo que que nunca poderia ter sido emparceirado na mesma, e muito menos podiam ter efectuado uma publicação a meu respeito, prestando falsas declarações. Porquê essa atitude?

5- Porque fui preterido de representar a selecção nacional que esteve presente nas olimpíadas disputadas em Troms0, na Noruega em Agosto de 2014?

6- Porque é que organizaram o Nacional de Veteranos em 2015, levando a que os xadrezistas que nele participaram e que pagaram as suas despesas directamente à FPX, tivessem tido uma despesa superior, do que se pagassem directamente à entidade hoteleira?

7- Porque fui preterido de representar o país no Europeu Individual disputado em Haifa, Israel, em Fevereiro de 2015, depois de ter sido escolhido como 1ª opção pelo seleccionador nacional?

8- Porque é que nesse mesmo Europeu a FPX não se mostrou disponível para efectuar a minha inscrição nessa prova, estando eu disponível a custear todas as despesas inerentes à minha participação?

9- Porque é que tentaram impedir a minha participação no Europeu S50, realizado em Eretria, na Grécia, em Abril de 2015, recusando-se a efectuar a minha inscrição, a qual veio a ser, posteriormente, solicitada pela organização da prova à vossa Direcção? Um pouco humilhante para a FPX, não acha?

10- Porque é que não transmitiram nenhuma informação relativamente à prova mencionada anteriormente em nenhum dos meios de comunicação que têm ao vosso dispor, nem sequer relativamente à classificação final obtida ao terminar, como sabem, ex-aequeo em 3º lugar? 

11- Porque é que por diversas vezes impediram a participação em provas de grande relevância e de importante interesse nacional a alguns xadrezistas?

12- Porque é que tendo em vosso poder convites de participação, como o caso do Iberoamericano, uma prova de elevado nível técnico e importantíssima para a evolução de qualquer xadrezista a sua Direcção preferiu não se fazer representar?

13- Porque impedem um atleta de representar o país no campeonato mundial da modalidade?

14- Porque calendarizaram a fase final do campeonato nacional a ser disputada logo a seguir à participação da selecção nacional nas olimpíadas? Têm consciência do que é praticar xadrez de alta competição?

15- Sendo este um ano de realização das olimpíadas, o porquê de ainda não terem efectuado a convocatória para a selecção nacional, contrariamente aos anos anteriores, estando nós a pouco mais de 4 meses da prova? Será que não querem assumir a minha escolha na selecção ou antes pelo contrário têm receio de me afastar, uma vez mais, da selecção nacional?

16- Gostaria que explicasse, à nossa comunidade, em que consistiram os acordos com o GM Garry Kasparov (candidato à presidência da FIDE), nas reuniões tidas com o Presidente da FPX e/ou Direcção, no que diz respeito ao seu apoio eleitoral nas anteriores eleições da Federação Internacional de Xadrez (FIDE)?

17- Porque é que, de entre os diversos escalões existentes na Federação Portuguesa de Xadrez a nível competitivo e com organização do seu próprio campeonato nacional, com periodicidade anual, os veteranos é o único escalão, relevo, que deixou de ter qualquer comparticipação que seja em termos da sua representação nacional? Nem sequer a despesa de inscrição no Europeu ou no Mundial de Veteranos é suportada pela FPX, será que este escalão definido pela própria Federação Internacional e reconhecido pela FPX merecem o desprezo e a marginalização a que estão a ser submetidos por parte da Direcção da FPX?

 

A última mensagem que enviei para a FPX, foi a seguinte:
“Passa assim para 17 as perguntas que continuam a aguardar uma resposta esclarecedora e justificada da vossa parte, tal como por vós prometido e, conforme o Decreto-Lei nº 248-B, no qual a Direcção da FPX é obrigada a respeitar, a cumprir e fazer cumprir o mesmo.

Muito sinceramente, espero que não seja vossa intenção deixar para a nova Direcção, que tomará posse a partir de amanhã, as respostas a estas perguntas!”

 

 

 

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Rui Batalha – Jogador da CBP

   

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Desfrutar do jogo, da amizade do pessoal

2- Pergunta Livre – Qual o objectivo da carreira?

Equipa a jogar na 1ª divisão, jogar pelo menos até aos 113 anos, ai teria 100 anos de actividade xadrezista.

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Entendo que quando se ganha não somos os melhores do mundo e quando se perde também não somos os piores do mundo... também quando não se pode jogar por vários motivos... lembro que todos nós temos a nossa vida profissional, familiar... é perfeitamente humano que nem sempre haja disponibilidade.

Já subi até à 2ª divisão e a bater à porta da 1ª divisão, já desci ao distrital.

Sou o mesmo, um jogo de cada vez, no fim se fazem as contas.

Importante é mesmo a grande vitória: Jogar Xadrez!

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

Jogaria como individual

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará para sempre na tua memória?

Muitos, mesmos muitos....mas do 1º titulo Nacional INATEL, com 3 jogadores (Diogo, Hélder e Eu), o 4º era o Ulisses que adoeceu....depois de vários anos à procura do titulo... Eis que do nada surgiu o titulo, julgo que por muitos e bons anos que cá ande nunca irei esquecer...

A partida dos colegas de equipa... golpe que ainda não sou capaz de digerir...SAUDADES, MUITAS!!!

  

 

 

Quinta Entrevista, hoje com o seccionista João Duarte dos Santos, figura incontornável da Vila do Bombarral, do distrito e do xadrez nacional que dispensa apresentações.

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João Santos – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Individual não tenho nenhum. Mas queremos fazer o melhor possível, pelo menos mantermo-nos.

2- Pergunta Livre – ?

Bem insistimos mas o Sr. João não se lembrava de nada que quisesse que lhe fosse perguntado, mas sempre deixou umas palavras sábias.
“… Gostaria que houvesse sempre um clima de amizade na equipa … “.
Estas palavras segundo a interpretação dos entrevistadores não visaram dar qualquer recado ao contrário do que possa transparecer das palavras, até porque não existe outro clima que não o da amizade, referia-se sim ao sentido de que valoriza mais verificar o convívio, o espírito de união, a alegria conjunta, do que qualquer resultado desportivo individual ou colectivo que dai possa advir… resumindo gosta do mesmo que nós, não há resultado que se compare a uma boa jantarada em grupo!

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Pior não me parece muito possível.

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube se veria a jogar na época 2018/2019?

Não jogava.

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará para sempre na sua memória?

A vitória no campeonato nacional da 3ª Divisão foi o momento de maior destaque, mas existiram diversos momentos interessantes ao longo dos anos desde 1978!

E assim foi esta curta entrevista, o estado ainda algo debilitado do nosso grande líder ainda esta visível, mas a recuperar a cada dia que passa. Andamos a recolher dados e a entrevistar o Sr. João ao longo dos anos para que possamos aqui apresentar uma entrevista ao jeito da rubrica “ 10 Perguntas”. Já poderia estar pronta há algum tempo, mas a verdade é que cada momento de conversa trás sempre mais um pouco de história à tona, por isso continua em “fase de recolha”.

   

 

 

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Pedro Rodrigues – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Pessoais só divertir-me. O importante é o colectivo, e aí é ganhar 4-0 todos os jogos.

2- Pergunta Livre – O que é que representa o xadrez para ti?

Actualmente em teoria representa muito pouco. Mas depois de tanta partida jogada claro que influencia como eu sou. É claro que existe a componente da concentração, do raciocínio, etc. Mas o que mais me salta à vista é que é um jogo que nos dá porrada muitas vezes e com muita força. E quem cá continua é por que tem capacidade de a aguentar.

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Agora é sempre a subir, não tenho dúvidas.

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

Sporting! Pelo menos experimentava a verde e branca.

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará para sempre na tua memória?

Os momentos valem pelo todo - os melhores e os piores são todos bons. Ainda assim, vou destacar a vitória na Taça de Leiria de 2016, que coroou a sequência impressionante que a CPB conseguiu.

   

 

 

 

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Marco Custódio – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

O objetivo principal passará sempre pelo coletivo, na tentativa de subir de divisão.

2- Pergunta Livre – Porquê a mudança de clube e porquê a Casa do Povo do Bombarral?

Mudei de clube para entrar numa equipa mais competitiva e com objetivos superiores. A Casa do Povo do Bombarral é um namoro antigo, recordo que há uns anos atrás o Artur já me tinha falado no assunto mas na época não se proporcionou. Desta vez, após alguma insistência do André, acabei por aceitar.

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Os títulos são importantes, mas mais importante ainda é a estabilidade da equipa e penso que este ano vamos ganhar títulos.

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

É complicado responder a essa pergunta tendo em conta que acabei de mudar de clube. Não tenho nenhum clube em mente, essencialmente gosto de estar onde querem que eu esteja.

5- Qual a tua opinião sobre o site da CPB e o que melhorarias?

Pouco posso opinar sobre esse assunto pois não sou nenhum entendido em informática, mas aos olhos de um leigo, parece estar tudo bem estruturado.

  

 

 

 

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André Balsinha – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Gostei de participar nos torneios do parque na Feira dos Frutos e espero poder jogar outra vez em 2018.

2- Pergunta Livre – O que achas do jogo de xadrez?

Penso que o xadrez é um jogo divertido, mas ao mesmo tempo envolve concentração, o que o torna ainda mais interessante.

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Este ano vamos ganhar tudo!

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

Num clube que a minha escola organizasse.

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará para sempre na tua memória?

Acho piada ao Batalha a fazer de tarzan quando ganha um jogo.

   

 

 

 

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Ricardo Evangelista – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Nos últimos anos por razões pessoais não tenho tido objectivos pessoais dado ter estado muito afastado do xadrez no tabuleiro. O objectivo será mesmo não esquecer de como se mexem as peças e tentar largar o menor número possível de "calhaus".

2- Pergunta Livre – Qual o melhor clube do Mundo?

Quanto à resposta acredito que já adivinharam...
CPB CPB CPB!

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Os resultados desportivos são o resultados de muitas situações e não sendo nenhum dos jogadores profissionais a vida pessoal tem muita influência no nosso desempenho e dedicação ao jogo. Infelizmente vimos um amigo de sempre e para sempre deixar-nos e com ele levar muita da nossa alegria mas resistimos e continuamos...

O espírito de grupo e de amizade servirá certamente para nos reerguermos e voltar a alcançar bons resultados para continuar a dar alegrias à alma da CPB, o Sr. João Santos :-)

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

Certamente não jogaria por outro clube pois o que mais me motiva é o convívio entre amigos e não encontro isso neste momento noutro lado como na CPB.

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará(m) para sempre na tua memória?

Muitos e bons momentos perdurarão para sempre na minha memória desde o triunfo desportivo na 3ª Divisão que nos permitiu ascender à 2ª Divisão Nacional ás muitas viagens realizadas com o nosso condutor dos atalhos Hélder Barros (saudades do seu humor corrosivo e da sua boa disposição constante aliada à "picardia" com o nosso capitão Rui Batalha J. Memórias que nunca esquecerei também com a pessoa com o coração mais puro que já conheci: o amigo e quase irmão António Severino Santos que sempre nos deixava com um sorriso no rosto. Outro amigo que nunca esquecerei pela sua rectidão e amizade e que também já nos deixou fisicamente mas que para sempre fica nas nossas memórias: António Mamede Diogo.

Foram muitos e bons anos que me deram o privilégio de conhecer pessoas fantásticas e que me ensinaram a ser quem sou. Obrigado!

  

 

 

 

 

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Paulo Constantino – Jogador da CBP

  

1- Quais os objetivos pessoais relacionados com o xadrez para esta época?

Os meus objetivos pessoais no xadrez terão de ser, este ano, os mesmos dos outros anos; i.e. continuar ligado ao xadrez e ás pessoas que conheci através dele. E se houver condições, quem sabe até parar a descida de performance no meu nível ‘xadrezistico’.

2- Pergunta Livre – Será que algum dia o teu elo vai voltar a subir antes que chega a zero?

Essa é uma pergunta demasiado difícil para eu responder. Por isso terei de passar.

3- Primeiro ano sem a participação da CPB na TNA, Triplete Distrital para a equipa de Leiria, um troféu distrital em seis possíveis nas últimas duas épocas, batemos no fundo, ou a "procissão ainda vai no adro"?

Tem havido comentários nesse sentido, o que pode indicar algum desânimo. Talvez por causa essencialmente da nossa descida da 2ª divisão e falhanço em voltar a subir pouco depois. Desanimo esse que provavelmente tem alguma influência noutros resultados. Mas se na verdade batemos no fundo, então posso estar satisfeito. A partir daqui é só para cima.

4- Se esta fosse a ultima época da CPB por que clube te verias a jogar na época 2018/2019?

Esperemos que não, mas se fosse o caso não me estou a ver a jogar por mais nenhum clube. Como explicado na 1ª pergunta, neste momento jogar xadrez é mais uma atividade social do que puramente competitiva. O tempo é um luxo neste momento e prefiro preencher o pouco que me sobra com seres humanos mais do que com competição. Se houver outro clube que me oferecesse as mesmas condições, quem sabe, mas não estou preocupado minimamente com isso neste momento.

5- Qual o(s) momento(s) da CPB que perdurará para sempre na tua memória?

Os momentos são muitos, felizmente, mas se tivesse de escolher seriam os tempos onde eu era mais novo e a chama do xadrez estava muito mais forte. Nessa altura a competição e aprendizagem entre o pessoal do clube tinha um gostinho especial. A gente podia não saber tanto, mas tudo estava acompanhado da energia da juventude. Daqui se pode ver que não desgosto da competição, pelo contrário.

   

 

 

 

 

 

 



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